Operação coordenada pela Prefeitura de Manaus envia doações e medicamentos à Venezuela após o terremoto, com apoio de autoridades brasileiras e venezuelanas.
O prefeito de Manaus, Renato Junior, determinou neste sábado, 27/6, o início de uma operação humanitária para prestar assistência às vítimas do terremoto na Venezuela. O anúncio foi feito em entrevista coletiva no almoxarifado da Secretaria Municipal da Mulher, assistência social e Cidadania (Semasc), no bairro Petrópolis, onde começaram a ser recebidas doações da sociedade civil, instituições e entidades.
Articulação entre autoridades
Antes do envio da primeira remessa, Renato Junior articulou contatos com autoridades brasileiras e venezuelanas para acelerar a assistência. Segundo o prefeito, foram mantidas conversas com o prefeito de La Guaira, representantes do governo da Venezuela, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e integrantes do Comando Militar da Amazônia — comandante-geral Viana Filho — e da 1ª Brigada de Infantaria de Boa Vista, comandante-geral Angrizani, que apoiam a logística da operação.
“As fronteiras separam países, mas jamais podem separar os povos. Neste momento, não estou aqui apenas como prefeito de Manaus, mas como brasileiro e, acima de tudo, como ser humano. Cada dia que conseguimos antecipar essa ajuda representa um dia a menos de sofrimento para milhares de famílias”, afirmou Renato Junior.
Envio e composição da primeira remessa
A primeira remessa reúne 10 mil cestas básicas; aproximadamente 10 mil litros de água potável; 560 colchões; 300 kits de higiene; 5.520 unidades de produtos de limpeza; além de medicamentos e outros insumos essenciais. Todo o material será embarcado ainda neste sábado em caminhões do Exército, seguindo por via terrestre até Pacaraima, norte do Estado de Roraima, na fronteira com a Venezuela, com apoio de autoridades federais e dos órgãos responsáveis pela distribuição.
A operação também contempla envio de medicamentos e insumos hospitalares para reforçar a assistência nas áreas atingidas. Entre os itens separados pela Prefeitura de Manaus estão: 50 mil comprimidos de paracetamol, 500 mg; mil frascos de paracetamol em solução oral; 20 mil comprimidos de amoxicilina, 500 mg; 50 mil comprimidos de cefalexina, 500 mg; 50 mil comprimidos de sulfametoxazol; mil frascos de soro fisiológico (cloreto de sódio), 250 ml; 800 frascos de cloreto de sódio injetável, 500 ml; mil frascos de Ringer Lactato; e mil envelopes de sais para reidratação oral. Esses medicamentos atenderão demandas emergenciais de unidades de saúde e das equipes médicas nas áreas afetadas.
“Em uma tragédia como essa, cada medicamento, cada litro de soro e cada gesto de Solidariedade podem significar vidas salvas”, comentou o prefeito Renato.
Mobilização municipal e voluntariado
Por determinação do prefeito, todas as secretarias municipais foram mobilizadas para garantir rapidez na resposta humanitária, segundo o secretário da Semasc, Wanderson Costa. Conforme o secretário, água potável, colchões, kits de higiene, alimentos e produtos de limpeza estão sendo separados para atender quem mais precisa. A Prefeitura informou que já fez contato com organismos internacionais, como a ONU, e busca parceiros para apoiar a logística.
Aproximadamente 80 voluntários — entre médicos, enfermeiros e profissionais especializados — colocaram-se à disposição para atuar nas áreas atingidas, com apoio logístico da Prefeitura de Manaus. O secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), Alberto de Siqueira, informou que a Defesa Civil e demais órgãos municipais atuam de forma integrada e que foi autorizado apoio logístico para o deslocamento desse grupo.
Solidariedade e continuidade da campanha
O terremoto, considerado um dos maiores desastres da história recente da Venezuela, já provocou mais de 920 mortes, quase 3.360 feridos e centenas de desaparecidos. Entre as vítimas estão dois brasileiros.
Renato Junior ressaltou o gesto de Solidariedade da Venezuela durante a crise de abastecimento de oxigênio no Amazonas na pandemia da Covid-19 e afirmou que a ação atual também é uma forma de gratidão. Ele conclamou empresas, instituições, igrejas e a sociedade civil a integrarem a campanha de arrecadação, e afirmou que a Prefeitura manterá diálogo permanente com os prefeitos das cidades atingidas para identificar novas demandas.
As doações da Prefeitura de Manaus seguem em direção à fronteira com a Venezuela ainda neste sábado. Paralelamente, a administração municipal mantém contato permanente com autoridades locais, com o governo federal e com organismos internacionais para identificar novas necessidades e ampliar o apoio, se necessário. A campanha de arrecadação permanece aberta para receber contribuições da população, empresas, instituições religiosas e entidades da sociedade civil.
Texto – Alessandra Taveira/Semcom-Prefeito
Fotos – Carlos Oliveira/Semcom-Prefeito e Valdo Leão/Semcom
Disponíveis em https://flic.kr/s/aHBqjCXJbW
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