A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), por meio da escola do Legislativo Senador José Lindoso e do Núcleo de educação e Pesquisa em direitos humanos do programa Educando pela Cultura, iniciou o ciclo de palestras em alusão à campanha Setembro Amarelo, voltada à prevenção do suicídio e à promoção da saúde mental.
Com o tema “Informação, escuta e diálogo”, a programação aborda questões histórico-sociais que podem contribuir para o adoecimento mental e busca ampliar o debate sobre prevenção, acolhimento e valorização da vida.
A coordenadora do Núcleo de educação e Pesquisa em direitos humanos, pedagoga Jacy Braga, destacou que fatores presentes no cotidiano podem influenciar a saúde mental.
“Atitudes do dia a dia podem influenciar para que as pessoas adoeçam, a partir do estilo de vida, do local em que se está inserido, das expectativas depositadas nas pessoas, das cobranças e dos conceitos de perfeição. É preciso observar isso como forma de prevenção”, afirmou.
O primeiro palestrante, professor doutor Ygor Olinto, abordou a perspectiva histórico-social do suicídio e destacou a importância de ampliar os espaços de discussão sobre o tema.
“Na área da Sociologia, temos uma tradição, desde o século XIX, de pensar a questão do suicídio e os fatores sociais que favorecem as condições para que o jovem ou o adulto passe ao ato como resposta a um sofrimento indizível, quando não encontra palavras e maneiras de recriar sua vida. É preciso que os espaços de discussão sejam ampliados. Os números de suicídios e mutilações são sintomáticos”, explicou.
Segundo o professor, o fenômeno não deve ser compreendido apenas de forma individual.
“O suicídio não é um sintoma individual, mas indica o sofrimento da sociedade como um todo. É uma oportunidade de convocar as pessoas a falar sobre suas angústias e encontrar, em diferentes instituições, o laço social e a capacidade de mantê-las aqui conosco”, afirmou.
saúde mental e quebra de tabus
A psicóloga Suellen Filgueiras, a segunda palestrante, ressaltou a importância do Setembro Amarelo para transformar o tema em uma discussão aberta de saúde pública.
“Quando a ideação suicida acomete uma pessoa, nunca afeta somente aquela pessoa, mas também a família, a escola e as pessoas que convivem com ela. O suicídio não tem uma causa única. Não acontece de alguém simplesmente acordar e cometer o ato ou começar a ter esses pensamentos. É resultado de uma série de fatores, incluindo questões socioeconômicas e culturais e a falta de acesso aos cuidados de saúde mental, tanto na REDE pública quanto na particular”, afirmou.
A psicóloga também chamou atenção para a necessidade de observar possíveis sinais de sofrimento.
“É possível perceber alguns sinais. A depressão não tem rosto. Às vezes, é um amigo próximo que fala com todo mundo e brinca o dia inteiro, mas não sabemos como essa pessoa está se sentindo por dentro. É importante se perceber e perceber as pessoas ao nosso redor”, destacou.
Atenção aos adolescentes
A psicóloga da Coordenadoria de Atenção Psicossocial do estudante (CASPE), da Secretaria de Estado de educação e Desporto Escolar (SEDUC), Ziza Woodcock, reforçou a importância de promover momentos de reflexão sobre o papel de adultos e instituições na proteção dos adolescentes.
“A mídia hoje tem uma influência muito grande e adentra na vida do adolescente sem pedir permissão. Ela traz mensagens que, na visão do adolescente, podem parecer inofensivas, mas não são, principalmente quando os pais não estão monitorando”, afirmou.
Para os estudantes que participaram da programação, as palestras também contribuíram para ampliar o conhecimento sobre saúde mental.
O estudante João Pedro, do 8º ano da escola Estadual de Tempo Integral (EETI) Leonor Santiago Mourão, localizada no conjunto Manauense, afirmou que a palestra trouxe novos aprendizados.
“Eu achava que o suicídio era algo somente da atualidade, próximo da nossa realidade, mas aprendi que ele existe há muito tempo. Foi uma surpresa para mim”, relatou.
A estudante Alice Gama, do 9º ano da mesma escola, destacou a importância de quebrar tabus relacionados à depressão e às cobranças enfrentadas pelos jovens.
“As gerações estão ficando cada vez mais frustradas e descontando nas próximas. Acho importante ter palestras aqui na Assembleia e participar dos projetos que existem, porque é uma visão diferente. A gente percebe que não está sozinho”, afirmou.
Segundo dia terá foco em segurança cibernética
O segundo dia de palestras será realizado nesta quinta-feira (10/9), a partir das 9h, e permanecerá aberto ao público interno e externo, segundo Jacy Braga.
De acordo com a coordenadora, a programação terá uma nova abordagem sobre o tema, com foco na segurança cibernética e sua relação com os desafios enfrentados por crianças e adolescentes no ambiente digital.