O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) defendeu o rastreamento balístico e documental das armas de alto poder de fogo apreendidas durante uma operação integrada realizada em Codajás, na calha do Médio Solimões. Para o parlamentar, a dimensão do arsenal exige que as investigações avancem para identificar sua origem, rota de entrada no país, destinatários e possíveis conexões com organizações criminosas.
A ação resultou na apreensão de aproximadamente 4,5 toneladas de skunk, três fuzis AK-47, duas metralhadoras M60, 5,8 mil munições, 45 carregadores e uma lancha blindada equipada com seis motores de 250 HP. O material foi avaliado em cerca de R$ 93 milhões.
“Não estamos falando apenas de uma grande carga de drogas. A presença de fuzis AK-47 e metralhadoras M60 revela uma capacidade de confronto extremamente elevada. É necessário descobrir de onde vieram essas armas, por quais rotas passaram, quem financiou sua aquisição e a quais grupos criminosos seriam destinadas”, declarou Comandante Dan.
O deputado considera fundamental verificar a fabricação, a numeração e os registros das armas, além de confrontar as informações com bancos de dados nacionais e internacionais e com apreensões semelhantes realizadas anteriormente no Amazonas e em outros estados.
“Cada arma apreendida precisa ser tratada também como fonte de inteligência. O rastreamento balístico e documental PODE revelar conexões entre diferentes ocorrências, rotas internacionais e organizações que atuam no tráfico de drogas e de armamentos”, afirmou.
A operação reuniu o Batalhão de Operações Policiais Especiais da polícia Militar do Amazonas (Bope/PMAM), o Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Amazonas (Ficco/AM) e a Diretoria de Operações Antidrogas da polícia Nacional do Peru.
Para Comandante Dan, a participação peruana demonstra a importância da cooperação internacional, mas também reforça a necessidade de transformar ações conjuntas em estruturas permanentes de compartilhamento de inteligência.
“A cooperação com o Peru mostrou, mais uma vez, que o crime organizado não respeita fronteiras. Precisamos manter canais permanentes de inteligência entre o Amazonas, as forças federais e as autoridades do Peru e da Colômbia. Operações pontuais produzem resultados, mas o enfrentamento contínuo exige integração institucional, tecnologia e presença territorial”, ressaltou.
Presidente das comissões de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas e da UNIÃO Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), Comandante Dan sustenta que a proteção do Estado deve começar nas áreas fronteiriças e acompanhar as rotas fluviais utilizadas pelo crime organizado.
“Temos defendido uma política de segurança da fronteira para dentro, com bases operacionais nas calhas dos rios, inteligência compartilhada e estrutura adequada para as polícias nos municípios do interior. A apreensão em Codajás mostra que armas, drogas e embarcações de grande capacidade avançam pelo território amazonense. Precisamos interceptar essa logística antes que ela alcance os centros urbanos”, concluiu.
Segundo o Ministério da justiça e Segurança Pública, a apreensão ocorreu no sábado, 5 de setembro, e o material foi encaminhado ao Denarc para os procedimentos de polícia judiciária e a continuidade das investigações.