
Em discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nesta quarta-feira (22/4), o deputado Dr. George Lins (UNIÃO Brasil) destacou um importante avanço na saúde pública brasileira: a aprovação, pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), do uso de testes genéticos para identificação de mutações relacionadas ao câncer de mama e de ovário.
De acordo com o parlamentar, a medida abre caminho para a inclusão, no Sistema Único de saúde (SUS), de exames que identificam alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados ao risco hereditário dessas doenças.
“Estamos falando de um divisor de águas. Esse teste genético permitirá diagnóstico mais precoce, acompanhamento adequado e, principalmente, maior chance de cura para milhares de mulheres”, afirmou o deputado.
A nova tecnologia utiliza métodos modernos de análise genética, como o sequenciamento de nova geração (NGS), capaz de identificar mutações no DNA que aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de câncer.
Estudos apontam que entre 5% e 10% dos casos de câncer de mama são hereditários, podendo chegar a até 80% de risco ao longo da vida em mulheres com mutações nos genes BRCA.
Conforme Dr. George Lins, o tema ganhou notoriedade mundial após a atriz Angelina Jolie revelar que realizou uma mastectomia preventiva ao descobrir predisposição genética, exemplo que ele citou durante o discurso proferido no plenário Ruy Araújo.
Protagonismo de Mourão
Dr. George fez questão de destacar o protagonismo do mastologista amazonense Gerson Mourão, diretor-presidente da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon).
Mourão integra um seleto grupo de especialistas brasileiros envolvidos na construção das diretrizes para implementação do teste no SUS, contribuindo diretamente para a formulação de políticas públicas na área.
“É motivo de orgulho para o Amazonas ter um médico participando dessa construção nacional. Isso mostra que estamos inseridos nas grandes discussões da saúde pública brasileira”, ressaltou o deputado.
Impacto direto no Amazonas
O avanço é especialmente relevante para o estado, onde o câncer representa um preocupante problema de saúde pública. Embora o câncer de colo do útero ainda lidere em incidência local, o câncer de mama segue como um dos mais preocupantes, exigindo estratégias eficazes de prevenção e diagnóstico precoce.
Segundo Dr. George, a nova tecnologia traz benefícios concretos, como a identificação precoce de mulheres de alto risco, acompanhamento personalizado, possibilidade de medidas preventivas — incluindo cirurgias redutoras de risco — e redução de custos futuros com tratamentos avançados.
Além disso, o Amazonas já possui legislação específica desde 2021 que garante acesso ao mapeamento genético para mulheres de alto risco, o que PODE facilitar a implementação prática da nova política.
Apesar da recomendação da Conitec, Dr. George alertou que a incorporação da tecnologia ao SUS ainda depende de decisão do Ministério da saúde. “A Conitec avalia a evidência científica e o custo-benefício. Agora, cabe ao Ministério transformar essa recomendação em realidade para a população”, explicou.
Especialistas defendem que a implementação seja feita de forma gradual, priorizando inicialmente pacientes com maior risco e estruturando uma linha de cuidado adequada.