A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), por meio do Núcleo de educação e Pesquisa em direitos humanos da escola do Legislativo Senador José Lindoso, deu continuidade, nesta terça-feira (12/5), ao segundo dia da 3ª Semana da educação Legislativa, com a realização da palestra “Mulheridades em plural: identidade, diversidade e o combate ao preconceito”, às 9h, no Auditório Senador João Bosco.
As professoras doutoras Lidiany Cavalcante, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e Michele Pires, da Universidade de Brasília (UnB), ministraram a palestra sobre “Mulheridades em plural: identidade, diversidade e o combate ao preconceito”.
“Sabemos que existe uma diversidade humana e, dentro dela, há uma série de identidades que precisam ser reconhecidas, e não apenas toleradas, pela sociedade. É importante fomentar esse aprendizado entre os jovens que irão construir a sociedade do futuro”, afirmou Lidiany Cavalcante.
A professora Michele Pires, que realiza pós-doutorado na Universidade de Brasília (UnB), destacou a importância de a escola do Legislativo promover debates sobre o tema durante a Semana da educação Legislativa.
“Esses debates são fundamentais porque, muitas vezes, o ensino Básico não consegue aprofundar essas discussões, embora elas estejam previstas na grade curricular. Quando abrimos um livro didático, percebemos que a presença das mulheres ainda é muito pequena. No entanto, não Podemos perder de vista que as mulheridades participaram de toda a trajetória histórica”, ressaltou.
O professor da escola Estadual Senador Petrônio Portela, João de Felipe, informou que a instituição levou 80 alunos para participar da 3ª Semana da educação Legislativa.
“É importante que eles consigam identificar as diferentes construções das mulheres e compreender os diversos contextos sociais. Esse tipo de palestra deveria ser mais divulgado nas escolas, porque contribui para a redução da violência contra as mulheres”, destacou.
A aluna Alice da Silva, de 17 anos, do 3º ano 1, questionou as palestrantes sobre a misoginia, tema que, segundo ela, é frequente no ambiente escolar.
“Esses casos de misoginia são muito frequentes, principalmente nas escolas, e muitas vezes não são levados a sério quando nós, mulheres, denunciamos. O pedagogo ou a direção tratam como situações comuns da adolescência e tudo acaba ficando por isso mesmo. São violências verbais que tentam denegrir a imagem das garotas”, denunciou.
Mulheridades em plural
A coordenadora do Núcleo de educação e Pesquisa em direitos humanos, pedagoga Jacy Braga, falou sobre o impacto da palestra entre os alunos da escola Estadual Petrônio Portela.
“O objetivo é construir uma sociedade que compreenda as diversas faces da mulher, respeite, proteja e garanta seus direitos. Precisamos mostrar à sociedade que existe essa diversidade e que é necessário aprender mais sobre o tema para evitar qualquer tipo de violação relacionada às diferentes formas de ser mulher”, afirmou.
Jacy Braga acrescentou que as mulheres enfrentam diferentes situações relacionadas a questões religiosas, identidade sexual e étnico-raciais, e que é necessário compreender e respeitar as particularidades de cada pessoa.
“Assim, teremos uma sociedade mais livre da violência que hoje nos acomete. O Brasil é o quinto país do mundo onde mais se matam mulheres e o segundo em assassinatos de mulheres trans. Precisamos ter mais responsabilidade no trato com as mulheres, e é fundamental conversar sobre esse assunto”, explicou.
Programação
Nesta quarta-feira (13/5), será realizada a palestra “educação inclusiva no Poder Legislativo”, com a professora doutora Priscila Lima. Na quinta-feira (14/5), acontece a palestra “racismo não é opinião: é violação de direitos”, com a professora mestre Rafaela Fonseca, do Instituto Federal do Amazonas (IFAM), e a professora doutora Elizangela Almeida, da Secretaria de Estado de educação e Desporto Escolar (SEDUC).
Encerrando a programação, na sexta-feira (15/5), será realizada a palestra “Meio Ambiente e Sustentabilidade: cuidar hoje para garantir o amanhã”, com a professora doutora Alzira Miranda, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM).