Em Brasília (DF), o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) afirmou nesta terça-feira (12/05) que o NOVO programa federal “Brasil Contra o Crime Organizado”, lançado pelo Governo Federal com previsão de R$ 11 bilhões em investimentos, representa uma oportunidade histórica para os estados, mas alertou que os recursos não serão liberados automaticamente.
Segundo o parlamentar, governadores e prefeitos precisarão apresentar projetos consistentes, aderir às diretrizes nacionais e demonstrar capacidade técnica para acessar os financiamentos e investimentos previstos no pacote federal.
“O dinheiro não vai cair graciosamente do céu. O programa exige comprometimento institucional, planejamento, integração entre os entes federativos e capacidade de execução. Quem tiver projeto, inteligência e organização vai acessar os recursos. Quem não se preparar ficará para trás”, declarou Comandante Dan.
O programa “Brasil Contra o Crime Organizado” foi lançado nesta terça-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e prevê R$ 1,06 bilhão em investimentos diretos da UNIÃO, além de R$ 10 bilhões em financiamentos do BNDES, destinados aos estados que aderirem formalmente ao plano federal. Entre os principais eixos estão a asfixia financeira das facções criminosas, o fortalecimento do sistema prisional, o aumento da taxa de esclarecimento de homicídios e o combate ao tráfico de armas.
Segundo Comandante Dan, o Amazonas reúne praticamente todos os fatores críticos abordados pelo programa federal. O parlamentar destacou que o estado sofre com a expansão das facções criminosas em áreas de fronteira, crescimento do narcotráfico fluvial, interiorização da violência, avanço do narcogarimpo, deficiência estrutural do sistema prisional e forte presença do crime organizado em rotas estratégicas da Amazônia.
“O Amazonas está numa posição extremamente sensível. Somos uma área de fronteira internacional, temos milhares de quilômetros de rios utilizados como corredores do narcotráfico e ainda convivemos com a presença crescente do crime ambiental associado às facções. Hoje o crime organizado atua integrado ao garimpo ilegal, ao tráfico de drogas, ao tráfico de armas, à lavagem de dinheiro e à exploração ilegal de recursos naturais”, afirmou.
O deputado também chamou atenção para a crise penitenciária amazonense, defendendo investimentos urgentes em inteligência, tecnologia e modernização das unidades prisionais. O programa federal prevê a transformação de 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima, com bloqueadores de sinal de celular, equipamentos modernos de revista e ampliação da inteligência penal. 
“Não existe combate efetivo às facções sem controle do sistema prisional. O crime organizado se fortalece quando o Estado perde o controle dos presídios e das fronteiras”, disse.
Comandante Dan afirmou ainda que os municípios amazonenses também precisam se estruturar para acessar recursos federais, especialmente nas áreas de videomonitoramento, guardas municipais, centros integrados de inteligência e prevenção territorial. O parlamentar voltou a defender a integração plena dos municípios ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP).
“O interior do Amazonas precisa entrar definitivamente na lógica da segurança integrada. Temos municípios isolados, efetivos reduzidos, delegacias superlotadas e regiões dominadas pelo crime organizado. Sem inteligência territorial e presença permanente do Estado, o crime continuará ocupando espaços”, declarou.
O programa federal também prevê fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), criação de estruturas nacionais de inteligência financeira para rastreamento patrimonial de facções e operações integradas em regiões de fronteira. 
Para Comandante Dan, o Amazonas possui potencial para captar recursos importantes nas áreas de monitoramento fluvial, policiamento de fronteira, inteligência integrada nas calhas de rio, modernização do sistema prisional, fortalecimento das guardas municipais e tecnologia aplicada ao controle territorial.
“O Amazonas precisa chegar preparado nessa discussão nacional. Não basta reclamar da criminalidade. É preciso construir projetos sérios, técnicos e viáveis para captar investimentos e fortalecer o controle territorial da Amazônia”, concluiu.