Incêndios em áreas de vegetação em Manaus e Iranduba, acompanhados de fumaça e piora da qualidade do ar na capital, marcaram a quarta-feira (30/09) e levaram o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) a cobrar explicações sobre a preparação do poder público para enfrentar os riscos climáticos. O parlamentar questiona quais medidas foram tomadas a partir dos alertas antecipados sobre o El Niño.
Na região de Cacau Pirêra, distrito de Iranduba, um incêndio de grandes proporções atingiu a vegetação entre os quilômetros 3 e 4 da rodovia AM-070 durante a tarde. O combate mobilizou dez viaturas e 50 militares do Corpo de Bombeiros, conforme atualização divulgada à noite. A fumaça reduziu a visibilidade nas proximidades da estrada e pôde ser vista de diferentes pontos de Manaus.
No início da noite, outro incêndio atingiu uma área de vegetação em frente à fábrica da Dafra Motos, na região da avenida Torquato Tapajós, no bairro Santa Etelvina, zona Norte de Manaus. As chamas e a fumaça assustaram moradores e motoristas, e os bombeiros foram acionados para conter o avanço do fogo.
Os efeitos também foram registrados na zona Oeste. Na Compensa, uma leitura do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), divulgada durante a noite, apontou concentração de partículas finas de 139,4 microgramas por metro cúbico, classificada como “péssima” pelo sistema. O registro evidencia que o impacto da fumaça ultrapassa as áreas diretamente atingidas pelas chamas.
Nas informações publicadas na noite de quarta-feira, o atendimento em Cacau Pirêra ainda estava em andamento. Não havia balanço conclusivo da área queimada, das causas ou de eventuais danos a imóveis e pessoas. Na ocorrência da Torquato Tapajós, também não haviam sido confirmados feridos nem a extensão dos danos.
Para Comandante Dan, a sucessão de ocorrências exige esclarecimentos sobre como as previsões meteorológicas foram incorporadas ao planejamento de prevenção. O deputado lembra que instituições públicas e privadas já alertavam, em maio, para a formação do El Niño e seus possíveis impactos sobre a Amazônia. O fenômeno foi confirmado em junho.
“Não era para estarmos monitorando as situações de risco e combatendo as ocorrências no início? Não é para isso que servem os alertas?”, questionou.
O parlamentar argumenta que o fenômeno é recorrente e que experiências anteriores deveriam orientar a identificação de áreas vulneráveis, o posicionamento de equipes e a disponibilidade de equipamentos para intervenção rápida. Sua cobrança é por fiscalização contra queimadas, monitoramento permanente e integração entre os órgãos responsáveis pela resposta às emergências.
Embora a origem dos incêndios de 30 de setembro ainda não tenha sido esclarecida, Dan defende que a preparação para condições climáticas adversas precisa anteceder o avanço das chamas. O deputado cobra a apresentação das medidas preventivas executadas, do efetivo disponível e do planejamento para proteger a população da capital e do interior durante o período de maior risco.