
Durante pronunciamento na quarta-feira (29/4), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Carlinhos Bessa (UNIÃO Brasil) fez uma cobrança à Universidade do Estado do Amazonas (UEA) diante da persistente falta de professores na unidade do Centro de Estudos Superiores (Cest) no município de Tefé. O parlamentar classificou a situação como grave e destacou os prejuízos diretos à formação acadêmica dos estudantes do interior.
Segundo o deputado, o problema não é recente e já havia sido levado à reitoria da instituição há quase um ano, após reunião com o grêmio estudantil da universidade. Na ocasião, Bessa buscou diálogo com a gestão da UEA e foi informado sobre a realização de um processo seletivo para suprir a carência de docentes. No entanto, afirmou que nenhuma medida concreta foi implementada até o momento.
O parlamentar também relatou divergências de informações entre a reitoria da Universidade do Estado do Amazonas e a Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ), apontando falta de alinhamento na condução do problema. Para ele, a situação evidencia falhas administrativas na UEA que vêm impactando o funcionamento da universidade no interior do estado.
“O reitor da UEA afirmou que o secretário (da SEFAZ) já tinha conhecimento da situação, mas quando busquei o próprio secretário, ele disse que essa demanda não havia sido levada a ele nesses termos. Estamos diante de uma falta de comunicação que está prejudicando diretamente os alunos”, afirmou.
Bessa ainda chamou atenção para o que considera um processo de enfraquecimento da presença da UEA fora da capital, com redução da oferta de cursos estratégicos como Direito, Medicina e Enfermagem em unidades do interior.
“O que vemos hoje é um esvaziamento da universidade no interior. Muitos polos já não oferecem cursos essenciais. Não Podemos aceitar que a UEA se limite apenas à formação de professores. O interior precisa de oportunidades amplas, que permitam aos nossos jovens sonhar e permanecer em suas cidades”, destacou.
Apesar das críticas, o deputado reforçou que seu posicionamento é pautado na busca por soluções. Ele colocou o mandato à disposição para dialogar com o Governo do Estado, a gestão da universidade e demais autoridades envolvidas, a fim de garantir uma resposta imediata à demanda.
“Eu dificilmente subo à tribuna apenas para cobrar. Sempre busco o diálogo e a construção de soluções. E continuo fazendo isso. Coloco meu mandato à disposição para sentar com o Governo, com a reitoria e com quem for necessário para resolver esse problema. O que não PODE mais acontecer é o aluno continuar sendo prejudicado”, concluiu.
O parlamentar também destacou o impacto social da situação, especialmente em uma cidade polo como Tefé, que recebe estudantes de diversos municípios do interior. Para ele, a educação representa a principal oportunidade de transformação de vida para esses jovens.
“Essas pessoas enxergam na educação a oportunidade de mudar de vida, de conquistar uma formação e ter acesso a um emprego melhor. Não Podemos frustrar esse sonho por falta de gestão”, enfatizou.
Emenda para melhoria da infraestrutura
Durante o discurso, o parlamentar anunciou a destinação de uma emenda parlamentar no valor de R$ 250 mil para a Universidade do Estado do Amazonas, voltada à reforma e modernização dos laboratórios de Química e Física do CEST, em Tefé.
De acordo com Bessa, os espaços encontram-se defasados e necessitam de investimentos para garantir melhores condições de ensino. A iniciativa prevê tanto a reestruturação física quanto a aquisição de novos equipamentos.
“Não basta apenas cobrar. É preciso contribuir com soluções. Estou destinando essa emenda, no valor de R$ 250 mil, para que a universidade possa reformar os laboratórios e adquirir equipamentos adequados, garantindo um ensino de qualidade aos alunos”, afirmou.
Apelo por atenção ao interior
Ao final, o deputado fez um apelo para que a gestão da universidade dê maior atenção às unidades do interior do Amazonas, destacando a importância da educação como instrumento de transformação social.
“Faço aqui um apelo sincero para que o reitor olhe com mais atenção para o interior do nosso estado. O interior não PODE ser tratado como secundário. Quem está lá também sonha, também luta e também merece respeito e educação de qualidade”, concluiu.