Comandante Dan defende política de segurança ‘além do mais do mesmo’ e relaciona insegurança à falta de infraestrutura no Amazonas

Reporter da Cidade
Comandante Dan defende política de segurança ‘além do mais do mesmo’ e relaciona insegurança à falta de infraestrutura no Amazonas

O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), presidente da Comissão de Segurança Pública, acesso à justiça e Defesa Social da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), defendeu nesta quarta-feira (20/05), durante sessão plenária da Casa, a construção de uma política de segurança pública estruturante para o Amazonas, integrada à infraestrutura, logística e presença do Estado nos territórios mais isolados. O parlamentar relacionou os desafios da segurança pública aos resultados do IPS Brasil – Índice de Progresso Social 2025, que apontou o Amazonas entre os estados com pior desempenho em qualidade de vida e Manaus entre as capitais mais mal avaliadas do país.

Durante o pronunciamento, Comandante Dan afirmou que o Amazonas precisa superar “o mais do mesmo” no enfrentamento da criminalidade e construir políticas públicas adaptadas à realidade geográfica da Amazônia.

“As pesquisas mostram claramente a percepção de insegurança da população. E a percepção de insegurança também adoece as pessoas. Ela gera medo, ansiedade, restrições e privações. Hoje muitos cidadãos vivem praticamente presos dentro de suas próprias casas”, declarou.

O parlamentar destacou que os impactos da insegurança vão além das estatísticas criminais e atingem diretamente a qualidade de vida, a saúde mental, a mobilidade urbana e o funcionamento da economia.

“O cidadão deixa de circular, deixa de ocupar os espaços públicos, altera sua rotina e passa a viver limitado pelo medo. Isso afeta o comércio, afeta a convivência social e afeta a própria dignidade humana”, afirmou.

infraestrutura e logística como prejudiciais

Comandante Dan também relacionou os baixos indicadores sociais do Amazonas à ausência histórica de infraestrutura logística no estado, especialmente na região sul e no chamado “trecho do meio” da BR-319.

“Não existe política pública eficiente no Amazonas sem infraestrutura. A falta de infraestrutura impede a presença permanente do Estado, dificulta a ação das forças de segurança e também compromete a fiscalização ambiental”, disse.

Segundo o deputado, a precariedade logística favorece a expansão do crime organizado, dificulta operações policiais e amplia áreas vulneráveis à atuação de organizações criminosas e ilícitos ambientais.

“A BR-319 não é apenas uma pauta de transporte. Ela é uma pauta de segurança pública, de soberania e de proteção ambiental. O isolamento territorial cria espaços onde o Estado chega com dificuldade, enquanto o crime organizado chega rapidamente”, ressaltou.

O parlamentar afirmou ainda que a ausência de conectividade territorial impede o avanço de políticas públicas essenciais em áreas como saúde, educação, desenvolvimento econômico e segurança.

“As políticas públicas não avançam no Amazonas por falta de infraestrutura. Não adianta discutir apenas aumento de efetivo ou compra de viaturas sem discutir logística, mobilidade e presença do Estado no território amazônico”, declarou.

Pesquisa nacional sobre qualidade de vida nos municípios

O discurso ocorre após a divulgação do IPS Brasil 2025, levantamento nacional que mede qualidade de vida nos municípios brasileiros a partir de indicadores sociais, ambientais e institucionais. No estudo, o Amazonas aparece entre os estados com pior desempenho nacional, enquanto Manaus ocupa a 21ª posição entre as 27 capitais brasileiras.

Entre os fatores que mais impactaram negativamente o desempenho amazonense estão justamente os indicadores ligados à segurança pessoal, saneamento, acesso a serviços públicos e infraestrutura urbana e territorial.

Para Comandante Dan, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas e territorializadas para a Amazônia.

“O Amazonas exige soluções compatíveis com sua realidade geográfica. Segurança pública aqui precisa dialogar com logística, presença estatal, conectividade, proteção ambiental e desenvolvimento regional. Sem isso, continuaremos enxugando gelo”, concluiu.

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