QUARTA-FEIRA – 28 DE OUTUBRO
DISCURSO PAROQUIAL
Salazar confirma que será o mesmo vereador tiktoker, sem entregas, agora em Brasília
Não precisa deduzir, Salazar já registrou em vídeo nas redes sociais: será o NOVO deputado federal mais vereador de Manaus, no Congresso Nacional. O último que insistiu e/ou caiu nessa armadilha política teve vida curta. Francisco Praciano deixou a Câmara Municipal de Manaus rumo à Câmara dos Deputados em 2006 e não esqueceu os assuntos paroquiais. O resultado veio na eleição seguinte, com o fracasso na disputa pela reeleição em 2010. Foi deputado federal de um mandato. Enquanto esteve no Congresso, falava de buracos nas ruas de Manaus, assunto que não interessa ao Congresso, à discussão nacional, muito menos aos eleitores amazonenses que o elegeram para discutir questões do Estado e nacionais com influência regional.
SEM ENTREGAS – Na Câmara de Vereadores, Salazar não fez uma única entrega. Vai abandonar o mandato dois anos após assumir o cargo e nesse período se notabilizou por fazer vídeos pirotécnicos, muitos lembrando o mundo circense. E o discurso preponderante se resumia a um conjunto de palavrões, apelidos e ofensas, passando longe dos problemas do dia a dia que a população deseja ver resolvidos. As urnas nas eleições deste ano já deram o primeiro recado. Salazar teve votação considerável, mas longe dos mais de 300 mil votos que muitos apostavam.
RECADO DAS URNAS
Amom perde mais da metade dos votos com “política de bairro” no Congresso
Outro parlamentar que não esqueceu os assuntos paroquiais ao chegar ao Congresso Nacional foi Amom Mandel. Após se eleger vereador de Manaus em 2020, em 2022 disputou vaga de deputado federal e se elegeu com 288 mil votos, um fenômeno nas urnas, o deputado federal mais bem votado proporcionalmente no País naquela ocasião, mas a insistência em se manter preso à política praticamente de bairro, o desempenho nas urnas despencou. Na eleição deste ano, Amom se reelegeu com 119.480 votos, menos da metade dos quase 300 mil obtidos em 2022. Amom surgiu na internet como novidade, cresceu na oposição à gestão municipal, mas desde quando atravessou a fronteira do Estado, praticamente não encontrou outro discurso.
CANTILENA – Nas próprias pré-campanha e campanha das eleições deste ano, Amom precisou recorrer aos assuntos locais para tentar ganhar fôlego político. E teve de escolher a dedo o partido ao qual se filiaria para disputar o pleito, mas nem na internet ele é mais uma novidade, com o desgastado estilo das postagens-lacração.
Cotado para presidir a Assembleia, Rozenha aposta em harmonia
O deputado estadual reeleito Rozenha acredita em uma Assembleia legislativa muito mais harmônica na relação com o Governo do Estado a partir de 2027. Dos 24 parlamentares estaduais, 15 se reelegeram. Rozenha é aliado do governador eleito Omar Aziz e é um dos mais cotados para presidir o parlamento estadual. Na primeira fala sobre o NOVO governo, o discurso foi de independência. “Quem quer acertar não PODE ter medo de crítica. O governador Omar faz questão de ouvir e entender onde o governo PODE estar errando”. Para além do parlamento, Rozenha é empresário, presidente da Federação Amazonense de futebol, a FAF, e um dos vice-presidentes da Confederação Brasileira de futebol, a CBF.
OPOSIÇÃO SUFOCADA -Nas duas últimas legislaturas, o ex-governador Wilson Lima teve dois opositores de fato, e ferrenhos: Dermilson Chagas e Wilker Barreto. O primeiro não se reelegeu em 2022, o segundo se filiou neste ano ao PSD, presidido no Estado pelo governador eleito. A considerar o perfil dos deputados eleitos, Omar deve garantir uma ampla base de apoio.
TERMÔMETRO
Amazonas e Minas Gerais, pêndulos na história das eleições presidenciais
Com mais uma eleição presidencial em que o vencedor também terminou na dianteira em Minas Gerais e no Amazonas, as duas unidades da Federação já estão sendo chamadas de Estados-pêndulo. Na primeira eleição após a redemocratização do Brasil, em 1989, Fernando Collor de Mello derrotou Lula por 52% a 47% em Minas e em Manaus com os mesmos percentuais. Em 1994, Lula enfrentou nova derrota: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (FHC) o venceu por 64% em Minas e 60% junto ao eleitorado amazonense. Em 1998, FHC se reelegeu no 1º turno, com 55% dos votos mineiros e 54% dos votos amazonenses. Em 2002, Lula conquista o primeiro mandato presidencial. Na ocasião, o petista derrotou José Serra, ex-senador e ex-governador de São Paulo. Vitória com 66% dos votos mineiros e 65% dos leitores amazonenses. Na eleição seguinte, de 2006, a reeleição de Lula, com acachapantes 86% dos votos no Amazonas e 65% em Minas Gerais.
ERA DILMA – Em 2010, o primeiro mandato de Dilma Rousseff, na disputa com José Serra: vitória de Dilma com 80% dos votos dos amazonenses e 58% dos mineiros. Em 2014, Dilma reeleita e mais uma vez o vencedor o mais votado nos Estados-pêndulo Amazonas e Minas Gerais, com 52% a 47% para Dilma na disputa com Aécio Neves em Minas e 65% a 34% para a petista em Minas. Em 2018, a eleição de Jair Bolsonaro, com 58% a 41% contra o petista Fernando Haddad em Minas e um apertado 50% a 49% no Amazonas para Jair.
Na era Lula versus os Bolsonaro, o fenômeno eleitoral se repete
Lula volta nas Eleições 2022, após o trauma do impeachment de Dilma para a esquerda e a chegada de Jair Bolsonaro, um deputado federal do baixo clero, ao Palácio do Planalto. Naquele ano, Lula derrota Jair, que tentava a reeleição. Até hoje na história do País, desde a redemocratização, Jair foi o único a não renovar o mandato por mais quatro anos. O vencedor, em 2022, mais uma vez terminou na frente nos Estados-pêndulos Minas Gerais (50% a 49%) e Amazonas (51% a 48%). Por fim, neste ano de 2026, Lula disputou contra Flávio Bolsonaro, sendo eleito para o quarto mandato, um feito inédito na história do País. E o fenômeno eleitoral dos Estados-pêndulo se repetiu: 54% a 45% para Lula no Amazonas e 50% a 49% para o petista em Minas.
DNA GOLPISTA
Fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA surpreende até mesmo aliados
O candidato derrotado a presidente da República Flávio Bolsonaro optou por fugir menos de 48 horas depois das eleições, no domingo. Está em solo norte-americano, atualmente governado pelo aliado, o presidente Donald Trump. Deixou para trás o discurso ensaiado de que tinha um projeto para o Brasil e os 59 milhões de eleitores que acreditaram nele. Até mesmo os aliados mais próximos, como o coordenador da campanha dele, Luiz Marinho. “Ficamos surpresos porque havíamos conversado com Flávio, sobre a necessidade dele liderar a oposição após os quase sessenta milhões de votos que ele obteve”. É provável que ainda nesta quarta-feira (28/10) Flávio fale à imprensa ou faça alguma manifestação pública. O discurso já é sabido. De que ele é perseguido politicamente e que fugiu do País para não ser preso.
OS FATOS – Flávio tratou de se abrigar nos Estados Unidos para não enfrentar a justiça, em investigações criminais graves, uma delas apura a lavagem de dinheiro através de Bet com o advogado e amigo Willer Tomaz, que já se evadiu do País também para fugir da justiça brasileira.
NÃO AO CAPACITISMO
justiça determina que Estado garanta vagas aos PCDs em concursos da PM
O Estado do Amazonas deve garantir vagas a Pessoas Com Deficiência (PCDs) nos concursos de ingresso na polícia Militar. A decisão é da justiça, que acolheu recurso do Ministério Público do Estado (MPAM), que questionou desrespeito à lei no concurso da corporação realizado em 2021. “Ao abrir as portas do concurso da polícia Militar, o Judiciário amazonense enfrenta o capacitismo que historicamente restringiu o acesso a funções públicas com base em estereótipos, especialmente em carreiras militares. Esperamos que já no próximo concurso público a previsão de reserva legal de PCD conste do edital”, destaca o promotor de justiça Vítor Moreira da Fonseca, titular da 42ª Promotoria Especializada na Proteção e defesa dos direitos da Pessoa Idosa e da pessoa com deficiência.
DANOS COLETIVOS – Na sentença, o Estado foi condenado a pagar R$ 200 mil por danos morais
FRASES DO DIA
“Têm vitórias que representam derrotas e derrotas que são verdadeiras vitórias”
ALFREDO GASPAR, CANDIDATO A VICE-PRESIDENTE DERROTADO
(Ao questionar extensão do prazo de votação no 2º turno, mas reconhecendo a vitória de Lula, eleito para um quarto mandato presidencial)
“Flávio prometeu ser o candidato da mudança. Começou mudando-se de país”
LEONARDO SAKAMOTO, JORNALISTA DO PORTAL DE NOTÍCIAS UOL
(Sobre a fuga de Flávio Bolsonaro, menos de 48 horas após as eleições presidenciais de 2º turno, em que perdeu para o reeleito presidente Lula)
