O deputado estadual Wilker Barreto (PSD) cobrou medidas mais rigorosas de fiscalização e punição aos responsáveis pelas queimadas no Amazonas durante pronunciamento na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nesta terça-feira (20/10). A crise ambiental levou o governo federal a ampliar o apoio ao estado, com mobilização das Forças Armadas, disponibilização de aeronaves e recursos para ações emergenciais.
“Os hospitais estão abarrotados, as pessoas não têm como não sofrer. […] Todo mundo está adoecendo e o que está faltando é punição. Alguém foi preso? Alguém foi algemado? Isso precisa ser feito”, afirmou o parlamentar.
Wilker também criticou a falta de planejamento e fiscalização e alertou para o risco de o problema se repetir nos próximos anos caso medidas preventivas não sejam adotadas.
“Se nós não agirmos, mapearmos agora e começarmos a notificar, a acompanhar, com certeza o Amazonas sofrerá no próximo ano”, declarou.
Forças Armadas vão reforçar combate aos incêndios
O governo federal anunciou, no domingo (18), a instalação de uma estrutura de comando conjunto das Forças Armadas em Manaus para coordenar as operações do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Ao todo, 16 aeronaves estão disponíveis para apoiar as ações de combate aos incêndios.
“Talvez a mais importante notícia seja a participação efetiva das Forças Armadas. As três forças, Marinha, Exército e Aeronáutica, estarão presentes aqui e participarão com efetivo […], de modo que daremos um salto para outro patamar na resposta para este problema”, afirmou o ministro da justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
Amazonas tem 36 municípios em situação de emergência
O governo federal reconheceu a situação de emergência em 36 municípios do Amazonas em razão das queimadas. Entre as cidades que aparecem no ranking nacional de focos de calor estão Lábrea, na quarta posição; Boca do Acre, na oitava; Autazes, na décima; e Itacoatiara, na 20ª posição.
A Defesa Civil Nacional empenhou R$ 14 milhões para ações emergenciais, incluindo assistência humanitária, equipamentos de proteção e combate ao fogo e contratação de duas aeronaves.
Segundo o senador Eduardo Braga, outros projetos apresentados pelo governo estadual e por prefeituras, que somam quase R$ 100 milhões, estão em análise pelo Ministério da Integração e do desenvolvimento regional.
“Em parceria com o governo federal, estão em análise projetos da ordem de mais de R$ 100 milhões para socorrer não apenas o governo do estado, que já recebeu R$ 14 milhões, mas também os municípios que estão sendo vítimas dos focos de incêndio”, declarou.
A liberação de novos recursos depende da aprovação dos planos de trabalho apresentados pelos governos estadual e municipais.
Fumaça afeta saúde e suspende aulas
Os impactos das queimadas também atingem a saúde da população. Conforme os dados apresentados na pauta, foram registrados 559 atendimentos de saúde relacionados à fumaça em outubro.
Durante o pronunciamento, Wilker Barreto afirmou que os efeitos da poluição já são sentidos pelas famílias amazonenses e cobrou a identificação e a responsabilização dos autores dos incêndios.
A fumaça também provocou a suspensão de aulas ao longo da semana nas redes estadual e municipal de ensino, além de instituições como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Instituto Federal do Amazonas (IFAM) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O prefeito de Manaus, Renato Júnior, orientou a população a evitar a exposição à fumaça, especialmente crianças, idosos e gestantes.
“Crianças, idosos, gestantes, por favor, bebam água, se protejam, se recolham dentro das suas casas, não se exponham a essa fumaça. Nossas UBSs estão de portas abertas para atender a qualquer ocorrência”, declarou.
O reforço federal ocorre em meio à necessidade de conter os incêndios e reduzir os impactos da fumaça sobre a saúde dos moradores do Amazonas.