Manaus Resiliência inicia estruturação técnica para R$ 200 milhões em obras de drenagem e requalificação ambiental

Reporter da Cidade
Manaus Resiliência inicia estruturação técnica para R$ 200 milhões em obras de drenagem e requalificação ambiental

Projeto Manaus Resiliência inicia fase de estudos e vistorias para obras de adaptação climática e requalificação em quatro áreas de Manaus.

A Prefeitura de Manaus, em parceria com o BNDES, realizou na terça-feira, 22/9, a reunião de abertura do projeto Manaus Resiliência, primeira iniciativa nacional do programa BNDES Cidades Resilientes, para viabilizar intervenções de infraestrutura, drenagem urbana e requalificação ambiental nas áreas mapeadas da cidade. A iniciativa prevê investimentos estimados em R$ 200 milhões, financiáveis pelo Fundo Clima.

Objetivos e áreas prioritárias

O projeto prevê o planejamento e a estruturação de obras voltadas à prevenção e à redução dos impactos de eventos climáticos extremos, especialmente em locais sujeitos a alagamentos e riscos ambientais. As intervenções serão planejadas para quatro áreas prioritárias de Manaus: Igarapé da Sapolândia, Parque dos Tucanos, Igarapé do Mindu e Igarapé do Franco, na avenida Brasil.

A reunião contou com representantes da Prefeitura de Manaus, do BNDES e do Consórcio Engecorps Moyses & Pires-Nippon, responsável pelos estudos técnicos que vão subsidiar a estruturação do projeto.

Posicionamentos de autoridades

Segundo Alessandro Ribeiro, titular da Secretaria Municipal de Finanças, Planejamento e Tecnologia da Informação (Semef), o projeto do BNDES está alinhado com a necessidade de revitalizar áreas que demandam solução urbana permanente. ‘A prefeitura tem uma parceria de longa data com o BNDES, que nos ajuda muito. Esse projeto de Cidades Resilientes vem ao encontro das necessidades de Manaus, uma das capitais com grande necessidade de resiliência climática. Sofremos com o verão rigoroso e o impacto do El Niño. O apoio do BNDES é fundamental para revitalizarmos áreas críticas, preparando a cidade para se adaptar melhor às fortes chuvas, aos igarapés e às áreas de risco’, afirmou.

O presidente do Instituto Municipal de planejamento urbano (Implurb), Antonio Peixoto, afirmou que o projeto se apresenta como solução social e ambiental para pontos de preocupação do município. ‘A cidade é um organismo vivo em constante movimento e possui pontos de vulnerabilidade gerados por ocupações irregulares às margens e leitos dos igarapés. Sob a ótica do planejamento urbano e da acupuntura urbana, atuar pontualmente nesses locais identificados vai desinflamar essas áreas. A execução do projeto trará um benefício social direto, devolvendo um território organizado, planejado e seguro para a população que hoje sofre com alagamentos’, explicou.

Luciene Machado, superintendente da Área de Soluções para Cidades do BNDES, esclareceu que o projeto está na etapa de conhecimento da realidade para construir soluções definitivas, com escuta da população. ‘A adaptação climática é um dos maiores desafios urbanos do país. É impossível prescrever soluções sem conhecer profundamente a realidade local e ouvir quem sofre diariamente os efeitos dos eventos severos. Estamos iniciando este trabalho em Manaus para integrar planejamento, engenharia e participação popular, transformando necessidades urgentes em projetos tecnicamente maduros, licitáveis e aptos a receber investimentos de longo prazo’, afirmou.

Agenda de vistorias e fase técnica

A partir desta quarta-feira até sexta-feira, 23 a 25/9, a equipe técnica formada por representantes do poder público municipal, especialistas do BNDES e técnicos do consórcio realiza verificações de campo nos locais mapeados para vistoriar gargalos de infraestrutura e validar diagnósticos iniciais.

As quatro áreas escolhidas enfrentam problemas recorrentes de inundações, ocupação irregular em faixas de preservação, erosão e falta de saneamento. Durante os nove meses de duração da fase de estruturação técnica, a equipe multidisciplinar executará diagnósticos ambientais e socioeconômicos, mapeamento de riscos hidrológicos e anteprojetos de engenharia.

O modelo de trabalho abrange soluções baseadas na natureza, obras de contenção e infraestrutura verde, além de um processo de escuta comunitária por meio de oficinas e consultas públicas com os moradores afetados.

Texto – Geraldo Farias/Semcom

Fotos – Valdo Leão/Semcom

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