A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), por meio da escola do Legislativo Senador José Lindoso, realizou nesta quinta-feira (27/8) mais uma edição do Programa Educando pela Cultura. O evento ocorreu no Auditório Senador João Bosco, na sede do Poder Legislativo Estadual, reunindo alunos do ensino médio da escola Estadual Garcitylzo do Lago e Silva, localizada no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus.
Com o tema “Direitos das Mulheres e o Combate ao feminicídio”, a ação integrou as atividades da campanha Agosto Lilás na Casa Legislativa. A campanha nacional busca conscientizar a sociedade sobre a importância de erradicar a violência contra a mulher, além de divulgar as redes de apoio e os mecanismos legais de proteção, como a Lei Maria da Penha.
A gravidade e importância da pauta, segundo Jacy Braga, coordenadora do programa, são reforçadas pelos dados alarmantes no estado. A coordenadora cita dados do relatório “Elas Vivem”, da REDE de Observatórios da Segurança, que informam que o estado registrou 1.023 casos de violência contra mulheres em 2025, alta de 69,4% em relação a 2024, quando foram contabilizados 604 registros.
A violência sexual e os casos de estupro aparecem entre os mais frequentes, com 353 registros. “Nosso objetivo hoje é sensibilizar esses jovens, com informação e consciência crítica, para que eles sejam parte no combate a todas as formas de violência de gênero”, afirmou Jacy.
Palestras
As apresentações foram conduzidas pela professora Dra. Lidiane Cavalcante, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e pela professora Auxiliadora Brasil, representante da Secretaria de Estado de educação e Desporto (SEDUC).
Adotando uma linguagem direta e acessível ao público jovem, a professora Lidiane Cavalcante detalhou os diferentes tipos de violência de gênero; como a física, psicológica, moral, patrimonial e sexual. Ela destacou a urgência de combater esse problema estrutural e enfatizou a responsabilidade coletiva na desconstrução da cultura machista, ressaltando que os homens exercem um papel crucial ao romper o silêncio, confrontar comportamentos tóxicos entre pares e atuar como aliados no respeito às mulheres.
Por sua vez, a professora Auxiliadora Brasil conduziu uma explanação histórica sobre as lutas travadas pelas mulheres ao longo do tempo para a conquista e garantia de direitos básicos. A palestrante ressaltou o impacto direto dessas conquistas na transformação do papel feminino na sociedade moderna, abordando a consolidação de direitos sociais, civis e políticos. “Falar sobre os direitos das mulheres é uma temática desafiadora, mas necessária, porque, infelizmente, estes direitos ainda não estão consolidados em 2026”, afirmou a professora.
Repercussão
O evento gerou reflexões entre os jovens, que avaliaram positivamente a oportunidade de falar sobre o tema. “É preciso que todos nós tenhamos consciência de que o combate à violência contra a mulher é um papel de todos, e os homens, principalmente, devem assumir sua responsabilidade”, afirmou o aluno Caio Gomes, de 16 anos.
A aluna Cássia Silva reforçou o valor de levar a pauta para dentro do ambiente escolar. “Falar sobre isso no ambiente escolar é fundamental porque ajuda a identificar sinais de desrespeito desde cedo e nos prepara para não aceitar nenhum tipo de violência no nosso dia a dia”, apontou a jovem.
Onde buscar ajuda?
Se você ou alguém que você conhece está sofrendo violência de gênero, denuncie e busque apoio:
Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 (gratuito e anônimo)
Emergência da polícia Militar: Ligue 190
Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher (DECCM) ou defensoria pública do Estado do Amazonas (DPE-AM)