
Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (27/4), a deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), presidente da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), trouxe novos e graves desdobramentos sobre o caso da jovem Tainara Soares, de 25 anos. Tainara acusa o tenente da polícia Militar, Osvaldo Lima da Silva, conhecido como “Grilo”, de estupro.
O oficial já se encontra preso preventivamente após a repercussão da denúncia, que teria ocorrido dentro de um posto de fiscalização na rodovia AM-010.
Segundo o relato inicial, a vítima foi coagida e violentada sexualmente em uma sala da unidade policial.
Falsa identidade e coação
Presente na coletiva, Tainara Soares descreveu os momentos de terror vividos na manhã do último sábado (25/4). De acordo com a vítima, uma mulher entrou em contato via ligação telefônica com ela, apresentando-se como servidora da Procuradoria da Mulher da Aleam e informando que queria entregar uma quantia em dinheiro, supostamente enviada pela deputada Alessandra Campelo. Acreditando se tratar de apoio institucional, Tainara aceitou o encontro.
A vítima foi colocada em um veículo e levada a circular por diversas zonas de Manaus. Em determinado momento, uma mulher chamada Kamila entrou no veículo, e Tainara a reconheceu, por vídeos da internet, como esposa do tenente Osvaldo da Silva.
Durante o trajeto, ela afirma ter sofrido forte pressão psicológica e tentativa de coação para recuar em suas acusações contra o tenente, com oferta, inclusive, de dinheiro.
“Eles usaram o nome de uma instituição séria para me tirar de casa e tentar me calar”, desabafou Tainara durante o encontro com os jornalistas.
Procuradoria da Mulher aciona órgãos de controle
“Eu quero ressaltar a coragem da Tainara, que hoje aceitou mostrar o rosto, por acreditar que esta sua atitude PODE encorajar outras mulheres que também tenham sido vítimas deste homem a formalizarem denúncias”, disse, ressaltando que a Procuradoria da Mulher também estará à disposição.
A deputada Alessandra Campelo classificou a atitude dos advogados e da esposa do suspeito como “inaceitável” e informou que medidas legais já foram tomadas.
“Uma coisa é a esposa dizer na internet que acredita no seu marido, outra coisa é armar uma emboscada, fingindo ser servidora da Procuradoria da Mulher para atrair uma vítima”, destacou a deputada.
Campelo informou que a equipe jurídica da Procuradoria da Mulher já registrou boletim de ocorrência (B.O.), apontando crime de falsidade ideológica devido ao uso indevido do nome da Procuradoria da Mulher.
Também foram registrados os crimes de coação e ameaça. Em relação aos advogados, destacou a parlamentar, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Amazonas (OAB-AM) também foi acionada para que a conduta dos profissionais envolvidos seja rigorosamente apurada.
Apoio
Diante do ocorrido, Alessandra Campelo informou que entrou em contato direto com o governador interino Roberto Cidade (UB), que determinou imediatamente o acolhimento institucional, sendo Tainara encaminhada para um abrigo do Estado para garantir sua segurança e a de seus filhos.
Além disso, o chefe do Poder Executivo estadual solicitou ao Comando-Geral da polícia Militar do Amazonas que assegure que a vítima não sofra novas retaliações.
“Não vamos admitir que uma mulher, após ser vítima de uma violência brutal dentro de uma unidade policial, seja agora caçada e coagida por quem deveria cumprir a lei. O Estado dará todo o suporte necessário para que a justiça seja feita”, afirmou Campelo.