
O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) repercutiu, nesta segunda-feira (27/04), a atuação da polícia Militar do Amazonas (PMAM) que resultou no resgate de sete pessoas e na recuperação de duas embarcações sequestradas por piratas dos rios, na região do Caeté, entre os municípios de Tonantins e Jutaí. A ocorrência, atendida por equipes do 8º Batalhão de polícia Militar (BPM) de Tabatinga, reacendeu o debate sobre a necessidade de estruturar e qualificar as forças de segurança para atuação no ambiente fluvial, pauta defendida pelo parlamentar desde o início do mandato.
Para Comandante Dan, o episódio reforça um cenário preocupante de avanço do crime organizado sobre as rotas hidroviárias do Amazonas, com impactos diretos sobre a segurança da população, a economia e o potencial turístico do estado. “A ação da polícia Militar demonstra preparo e compromisso dos nossos policiais, mas também evidencia um problema estrutural: o Amazonas é um estado de rios, e a segurança pública ainda não está plenamente adaptada a essa realidade. Precisamos investir em capacitação específica, equipamentos adequados e presença permanente nas nossas calhas de rio”, afirmou.
Levantamentos recentes indicam que a pirataria fluvial no Amazonas segue ativa e em expansão, com registros de ataques a embarcações de passageiros, balsas de combustível e transporte de cargas ao longo de 2026. Entre janeiro e abril, vieram a público ocorrências no Rio Madeira, no Rio Negro e na calha do Solimões, envolvendo desde tentativas de assalto com armamento pesado até operações que revelaram a conexão direta entre pirataria e tráfico de drogas. Em muitos casos, os criminosos utilizam lanchas rápidas, atuam em áreas isoladas e fogem por igarapés ou regiões de mata.
Apesar dos registros, o deputado alerta para a subnotificação desses crimes. “Existe uma cifra negra muito grande. Muitos ataques não chegam ao conhecimento das autoridades ou da imprensa, seja pela distância, seja pelo medo das vítimas. Isso faz com que o problema real seja ainda maior do que os números mostram”, destacou.
O parlamentar também chamou atenção para os riscos econômicos associados à pirataria fluvial, especialmente no transporte de combustíveis, essencial para o abastecimento do interior, e na circulação de passageiros. Segundo ele, a insegurança nas rotas fluviais PODE comprometer cadeias logísticas inteiras e afastar investimentos. “Nós estamos falando de um estado em que o rio é estrada. Quando essa estrada está dominada pelo crime, todo o sistema entra em colapso, desde o abastecimento até o custo de vida no interior”, afirmou.
Outro ponto destacado por Comandante Dan é o impacto direto sobre o turismo. Para ele, o avanço da pirataria coloca em risco um dos principais ativos estratégicos do Amazonas. “O binômio rio e floresta é o maior atrativo do nosso estado. Se o visitante se sente ameaçado, nós corremos o risco de perder oportunidades e ainda gerar prejuízos, ao invés de desenvolvimento. Segurança é pré-condição para qualquer política séria de turismo”, disse.
Como proposta, o deputado defende a criação de um modelo de segurança pública adaptado à realidade amazônica, com foco na territorialização por calhas de rio. Entre as medidas, estão o fortalecimento do policiamento fluvial, a implantação de bases integradas em pontos estratégicos, a ampliação da cooperação entre polícia Militar, polícia Civil e forças federais, além de investimentos em inteligência e tecnologia para monitoramento das rotas.
“O enfrentamento à pirataria passa por reconhecer que esse tipo de crime já é uma desinência das facções criminosas. Não se trata mais de ações isoladas, mas de uma estrutura organizada que disputa território, logística e recursos. Ou o Estado se reorganiza para enfrentar isso de forma sistêmica, ou continuará reagindo pontualmente a ocorrências que tendem a se repetir”, concluiu.
A operação em Caeté
A operação que motivou a repercussão ocorreu no dia 25 de abril de 2026, na região do Caeté, nas proximidades da comunidade Bom Jardim, e foi conduzida por policiais do 2º Pelotão de Tonantins, vinculado ao 8º BPM de Tabatinga. Participaram da ação o 3º sargento PM Kiev, o 3º sargento PM Geovane Moura, os cabos PM Berg, Aldenir Reis e Robson, além do soldado PM Kendell Castro.
Após receber informações de que uma embarcação havia sido interceptada por piratas com tripulação mantida sob ameaça, a guarnição realizou deslocamento tático com apoio logístico da Prefeitura de Tonantins, efetuou abordagem na embarcação à deriva e localizou as vítimas amarradas e confinadas, promovendo o resgate imediato.
Durante as diligências, houve troca de tiros com suspeitos, que fugiram para a mata, sendo recuperados uma lancha, um motor de popa, placas balísticas e pertences das vítimas, com encaminhamento do caso à 54ª DIP para investigação.