Caravana de Comandante Dan flagra carretas tombadas e expõe riscos na BR-319

Reporter da Cidade

A situação da BR-319 voltou a acender alerta no último domingo (05/04), após a caravana “Soluciona BR-319”, liderada pelo deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), registrar três carretas tombadas no trecho entre a balsa do Careiro da Várzea e a travessia do Igapó-Açu, no km 260. As imagens feitas durante a mobilização mostram veículos pesados fora da pista e carga espalhada, evidenciando os riscos de trafegabilidade na principal ligação terrestre do Amazonas.

Para o deputado Comandante Dan, os tombamentos registrados durante a caravana não são episódios isolados, mas sintomas de um problema estrutural.

“Encontramos uma estrada melhor que em 2025, mas ainda muito longe do ideal. Esses acidentes mostram que não há segurança para quem transporta a produção ou abastece Manaus. É prejuízo, é risco de vida e é atraso para o Amazonas”, declarou.

As imagens feitas no local mostram veículos pesados fora da pista e carga espalhada, em um cenário típico de rodovias com baixa qualidade estrutural. O problema não é isolado. A BR-319 já foi apontada como uma das rodovias mais letais do Amazonas, concentrando cerca de 66,7% das mortes em rodovias federais no estado em determinado período recente, além de registros frequentes de acidentes fatais relatados por moradores e motoristas.

“O impacto econômico é direto. Cada carreta tombada representa perda de carga, aumento do custo do frete e atraso na chegada de produtos à capital. Como Manaus depende fortemente da logística fluvial e, de forma complementar, da BR-319 para integração terrestre, qualquer instabilidade na rodovia pressiona preços e compromete cadeias de abastecimento”, destacou Dan.

A caravana percorreu a rodovia desde a madrugada, saindo da balsa da Ceasa, em Manaus, e já enfrentou dificuldades logo no início, com atraso na travessia devido à falta de infraestrutura. Ao longo do trajeto, foram identificados trechos com buracos, crateras, ausência de acostamento e falhas de drenagem — fatores diretamente associados ao tombamento de veículos pesados.

Especialistas em transporte apontam que esse tipo de acidente, comum em rodovias precárias, ocorre por uma combinação de fatores: pavimento irregular, bordas instáveis, ausência de sinalização horizontal e vertical, além da necessidade de manobras bruscas para desviar de defeitos na pista. Na BR-319, esses elementos se somam ao isolamento geográfico e à dificuldade de manutenção contínua, sobretudo no chamado “trecho do meio”, onde há longos segmentos de terra e barro.

Em comparação com outras rodovias federais mais estruturadas do país, como a BR-163 (MT/PA), ou a BR-101 (litoral), a BR-319 apresenta um padrão muito inferior de engenharia e segurança. Enquanto essas vias contam com sinalização adequada, pavimento contínuo e presença regular de fiscalização, a rodovia amazônica ainda opera com trechos sem pavimentação, pontes frágeis e dependência de balsas, o que amplia o risco logístico e operacional.

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