Prefeitura de Manaus reforça oferta de serviços no ‘Janeiro Roxo’ para o combate à hanseníase

Reporter da Cidade

Com o registro de 106 casos novos de hanseníase em 2025, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de saúde (Semsa), continua com o reforço das ações de combate e inicia este ano com a programação da campanha “Janeiro Roxo”, de alerta e conscientização da sociedade sobre a doença.

Até o final de janeiro, todas as unidades de saúde estarão desenvolvendo ações de prevenção e controle da hanseníase em Manaus, intensificando a oferta de serviços como avaliação clínica para identificar casos suspeitos, exames dermatológicos, aplicação do Questionário de Suspeição da Hanseníase (QSH), testagem de pessoas que são contatos de pacientes com confirmação da doença, palestras educativas, rodas de conversa e panfletagem em espaços comunitários.

A chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase (Nuhan/Semsa), enfermeira Ana Cristina Malveira, explica que a campanha “Janeiro Roxo” é realizada anualmente. “Essa é uma campanha direcionada à conscientização, prevenção, diagnóstico precoce e enfrentamento da hanseníase, que ainda é um desafio para a saúde pública, principalmente por causa do risco de gerar incapacidades físicas quando o diagnóstico é tardio”, alerta.

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, causada pelo Mycobacterium leprae, que tem como uma das características a evolução lenta, com um período de incubação em média de dois a sete anos, o que significa que PODE haver demora na manifestação de sinais e sintomas, dificultando o diagnóstico precoce.

A transmissão ocorre de uma pessoa infectada pelo bacilo (sem tratamento) para uma pessoa sadia, por meio de gotículas de saliva eliminadas na fala, tosse ou espirro. As chances de transmissão são maiores quando o contato com a pessoa doente é próximo e prolongado.

Cristina Malveira destaca que, do total de 106 casos novos da doença registrados em Manaus no ano passado, 10 foram diagnosticados em menores de 15 anos, o que evidencia a manutenção da transmissão ativa da doença, em especial entre os familiares, e mostra a necessidade da avaliação dos contatos dos pacientes.

“Atualmente, 49 pacientes estão em tratamento na REDE municipal de saúde, incluindo seis que são acompanhados por Unidades Fluviais de saúde da Família, ampliando o acesso ao cuidado em comunidades ribeirinhas. No campo da vigilância, 90,07% dos contatos da coorte 2025 já foram avaliados, indicador considerado muito positivo”, aponta Cristina Malveira.

Uma das estratégias usadas no controle da hanseníase é o teste rápido, disponível em 12 unidades saúde habilitadas para a realização do exame e que é usado na detecção de anticorpos específicos contra o bacilo causador da doença (Mycobacterium leprae), sendo indicado para pessoas que são contatos de pacientes diagnosticados com a doença.

Campanha

A abertura oficial da campanha “Janeiro Roxo” vai acontecer na próxima segunda-feira, 12/1, das 8h às 12h, na sede do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), no bairro Colônia Antônio Aleixo, zona Leste, com um mutirão de serviços de saúde, assistência social e educação em saúde.

“A expectativa é que sejam realizados aproximadamente 300 atendimentos em uma programação que vai integrar esforços intersetoriais das secretarias municipais de saúde e assistência social, e outras parcerias. Haverá oferta de consultas em clínica geral, dermatologia e pediatria, além de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais, vacinação contra influenza e atividades de promoção do autocuidado”, informa Cristina Malveira.

Durante o evento, a Secretaria Municipal da Mulher, assistência social e Cidadania (Semasc) disponibilizará serviços de cadastro único, atendimentos do centro de referência de assistência social (CRAS) e emissão de RG. O Morhan ofertará práticas integrativas e ações de bem-estar, como auriculoterapia, esmaltação, corte de cabelo unissex e massoterapia.

O encerramento da campanha vai ocorrer no dia 30/1, com uma caminhada alusiva ao “Janeiro Roxo”, no bairro Colônia Antônio Aleixo, reforçando a importância da informação, do combate ao estigma e do acesso oportuno ao diagnóstico e tratamento.

“É importante reforçar que a hanseníase tem tratamento e cura, mas o diagnóstico precoce é fundamental para interromper a transmissão e prevenir incapacidades”, afirma Cristina Malveria.

Os sintomas da hanseníase incluem: manchas na pele esbranquiçadas, amarronzadas ou avermelhadas, em qualquer parte do corpo, com perda de sensibilidade ao calor, ao frio, a dor e ao tato, que são mais frequentes nos braços, pernas e costas, mas podem aparecer no corpo inteiro.

Também podem surgir sensação de fisgada, choque, dormência, câimbras e formigamento em algumas áreas dos braços, mãos, pernas ou pés; inchaço e dor nas mãos, pés e articulações; diminuição do suor e dos pelos, principalmente nas sobrancelhas; redução da força muscular, sobretudo nas mãos (dificuldade para segurar objetos) ou nos pés.

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Texto – Eurivânia Galúcio/Semsa

Fotos – Divulgação/Semsa

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