A Prefeitura de Manaus fortalece a atenção à saúde de pessoas com doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) por meio de um curso de capacitação com foco na prevenção, manejo clínico e acompanhamento dessas condições na Atenção Primária à saúde (APS). A formação é coordenada pela Secretaria Municipal de saúde (Semsa) e vai alcançar 250 médicos e enfermeiros da REDE básica da capital.
A capacitação promovida pela Semsa abrange atualizações clínicas e práticas no manejo de hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 1 e 2, obesidade e doenças respiratórias crônicas na Atenção Primária. O curso acontece na faculdade Martha Falcão Wyden, na zona Centro-Sul, dividido em cinco turmas, cada uma com 50 participantes e carga horária de 8 horas. A primeira turma iniciou na tarde desta terça-feira, 7/4, seguindo na quinta, 9/4, com atividades no turno vespertino.
A gerente de Condições Crônicas da Semsa, Arquicely Azevedo, aponta que as DCNTs, que compreendem doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, neoplasias (câncer), doenças respiratórias crônicas, entre outras, são a maior causa de mortalidade no Brasil e no mundo, sendo responsáveis por cerca de três em cada quatro óbitos entre a população.
“O objetivo do curso que estamos realizando é justamente qualificar os enfermeiros e médicos para o manejo adequado dessas condições na APS, possibilitando o alinhamento de condutas e a atualização dos profissionais com base em novas evidências”, explica a gerente.
Arquicely assinala que a formação fortalece ainda o acompanhamento longitudinal de saúde da população, com a continuidade do cuidado por todas as fases da vida. “O curso reforça a importância desse olhar por toda a vida para prevenir e tratar as DCNT, de incentivar os hábitos saudáveis desde a infância, e promover o rastreamento e o diagnóstico precoce para evitar a evolução das doenças e suas complicações”.
Conforme a chefe do Núcleo de Atenção à saúde das Pessoas com Doenças Circulatórias e Diabetes, Phamela Costa, a capacitação desenvolvida pela Semsa traz conteúdos atualizados de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas (PCDT) relativos a hipertensão arterial e diabetes, focando a prevenção de complicações e o acompanhamento regular dos pacientes na REDE de saúde.
“Vamos reforçar a importância da estratificação de risco cardiovascular para seguimento de pessoas diabéticas e hipertensas, o papel dos exames regulares, além de tratar das ofertas de cuidados integrados, as OCIs, estratégia inovadora que começou a ser implementada no ano passado”, informa a gestora.
Outro destaque no conteúdo programático do curso, observa Phamela, é o enfoque nas atividades coletivas para usuários com DCNTs. O objetivo, ela explica, é fortalecer a formação de grupos de pessoas com condições crônicas nas unidades da REDE básica, como pessoas obesas, diabéticas, entre outras. A estratégia educacional e terapêutica busca promover a troca de experiências e o empoderamento desses usuários.
Para a chefe do Núcleo de Atenção à saúde das Pessoas com Doenças Respiratórias, Obesidade e Neoplasias, Lilian Paula Lima, a capacitação será uma oportunidade para os servidores esclarecerem dúvidas e conhecerem novidades no manejo da obesidade e das doenças respiratórias crônicas. O curso, ela aponta, destaca o papel do acolhimento e da atenção às necessidades individuais de pacientes obesos, do autocuidado e do manejo correto de dispositivos inalatórios por pessoas com asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
“É uma oportunidade para que nossos colaboradores, enfermeiros e médicos, possam trocar conhecimentos e experiências, e assim levar orientações e um atendimento mais qualificado à população”, avalia.
Cenário
A Semsa Manaus acompanha um número expressivo de usuários adultos com condições crônicas, evidenciando a relevância dessas doenças no cenário epidemiológico atual.
Conforme Arquicely Azevedo, entre as pessoas com 18 anos ou mais atendidas na REDE municipal de saúde, destacam-se 251.081 usuários com hipertensão arterial e 125.674 com diabetes mellitus. Outras 22.221 pessoas são acompanhadas por obesidade, 16.165 por doenças respiratórias crônicas e 9.196 por neoplasias.
“Isso reforça a necessidade do fortalecimento contínuo das ações de prevenção, monitoramento e cuidado integral na Atenção Primária”, enfatiza a gerente.
Programação
O cronograma da capacitação “Atenção integral à Pessoa com Doenças Crônicas Não Transmissíveis na APS: atualizações clínicas e práticas” se estende até o mês de maio. Após a primeira equipe de profissionais, que participa do curso nesta terça e quinta-feira, as próximas turmas ocorrem nos dias 14 e 16/4, das 8h às 12h; dias 23/4 e 12/5, das 13h às 17h; dias 28 e 30/4, das 8h às 12h; e dias 5 e 7/5, das 13h às 17h.
O conteúdo programático do curso traz cinco segmentos, quatro deles dedicados ao manejo da hipertensão arterial, do diabetes mellitus tipo 1 e 2, da obesidade e das doenças respiratórias crônicas na APS, e um voltado a atividades coletivas para usuários com DCNTs.
O segmento “Manejo da Hipertensão Arterial na APS” traz os temas da detecção precoce e estratificação de risco cardiovascular, abordagem medicamentosa, intervenções não farmacológicas, mudança de estilo de vida e seguimento, monitoramento e critérios de encaminhamento de usuários.
Em “Manejo do Diabetes Mellitus Tipo 1 e 2 na APS”, serão enfocados rastreamento e diagnóstico precoce, estratificação de risco e metas individualizadas, terapêutica farmacológica, exame de fundoscopia (fundo de olho) e prevenção de complicações crônicas.
Os temas do manejo da obesidade incluem classificação e estratificação de risco metabólico, abordagem comportamental e nutricional na APS, indicações e critérios de elegibilidade de tratamento farmacológico, e fluxos e critérios para encaminhamento a especialistas.
O segmento “Doenças Respiratórias Crônicas na APS” enfoca a asma e a doença pulmonar obstrutiva crônica, destacando o diagnóstico diferencial e estratificação de gravidade, protocolos de manejo farmacológico, prevenção de crises, educação em autocuidado e critérios de encaminhamento e retorno para a Atenção Primária.
O último momento da formação discute o registro, seguimento e educação em saúde, corresponsabilização do usuário, metas alcançáveis e a abordagem em atividades coletivas na APS.
— — —Texto – Jony Clay Borges / SemsaFotos – Divulgação / Semsa