Os números da segurança não refletem a violência a que a população é submetida, afirma Comandante Dan

Reporter da Cidade

O deputado estadual Comandante Dan (Podemos) se pronunciou, na manhã desta quinta-feira (29), sobre o dado do Ministério da justiça,  que atesta que o Amazonas teve o maior percentual de redução na taxa de homicídios entre todas a unidades da federação. Para o parlamentar, que já comandou a polícia Militar do Amazonas, os números da segurança não refletem a violência a que a população do estado é submetida diariamente.

“Não estou duvidando dos números divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública), nem do consolidado que o Ministério fez de todos os estados. Acredito que houve um esforço enorme, que houve redução do número de homicídios, mas que isso não retrata o que a população de Manaus e do Amazonas experimenta diariamente, desde furto e roubo à presença ostensiva e até a governança do tráfico em várias áreas da capital e do interior”, declarou o parlamentar.

O Ministério da justiça e Segurança Pública divulgou na última quarta-feira (28), que o Amazonas obteve em 2025 a maior redução da taxa e, também, a maior queda percentual de homicídios dentre as 27 unidades da Federação. Segundo o Ministério, os dados informados pela Secretaria Estadual de Segurança  mostram uma taxa de homicídios de 16,38 para cada 100 mil homicídios. O percentual é 8,26% menor que o registrado em 2024, quando o Amazonas esteve com uma taxa de 24,64.

O Ministério também divulgou que o estado contabilizou, em 2025, 708 casos de homicídios, em comparação a 1.055 de 2024, uma queda de 33% em relação ao ano anterior.

Para o Comandante Dan, nome político de Dan Câmara, a criminalidade amplia a presença na capital e no interior, mas muda o tipo de ocorrência:

“Todos ouvimos que grande parte do ano de 2025 havia um acordo entre as facções criminosas, o que reduziu, com certeza, o número de mortes violentas intencionais: homicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte. Mas o comando criminal de áreas cresceu muito. Nossa população convive com a livre venda de drogas, as ordens do tráfico, inclusive estabelecendo a retirada de câmeras de vigilância residenciais. Isso sem falar do aumento de furtos e roubos, que viram cifra negra, não chegam ao conhecimento da autoridade policial,’porque o cidadão não presta queixa. As delegacias não funcionam 24 horas e as pessoas não acham que valha a pena registrar, nem mesmo o boletim on-line”, disse.

Ele, que está em seu primeiro mandato eletivo, lembrou de episódios recentes, como o assalto a turistas nas instalações sanitárias do MUSA (museu da Amazônia) e a prisão de dois suspeitos pela própria população, revoltada com a impunidade, ocorrida na última terça-feira (27). Segundo ele, “as evidências do aumento da violência estão a olhos vistos; somente propaganda positiva não faz a população se sentir mais segura”.

O parlamentar também relatou que a situação do interior não é diferente:

“Ontem à noite mesmo recebi uma mensagem de Envira, uma cidade com menos de 18 mil habitantes, no Rio Juruá, dando conta de que após uma operação realizada em 2025, as execuções voltaram a acontecer no município. Já são 2 em 2026, com requintes de crueldade, decapitação, etc. A cidade tem 4 policiais militares e 4 policiais civis, segundo a informação da pessoa que manteve contato, e é dominada pelas facções. A polícia, com seus parcos recursos, ainda desmontou três tentativas de execução, mas as facções aterrorizam a população, com seus salves e execuções e obrigam os comerciantes a pagarem por ‘segurança’ deles”.

Com o retorno do recesso parlamentar no próximo dia 3 de fevereiro, o deputado informou que continuará  com a segurança pública como uma de suas principais bandeiras.

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