Facções já exercem influência em 45% dos municípios do Amazonas, alerta Comandante Dan

Reporter da Cidade

O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), alertou nesta segunda-feira (06/04) para o avanço das facções criminosas no estado, que já estariam presentes ou exercendo algum nível de governança em cerca de 45% dos municípios amazonenses. O dado foi destacado a partir do estudo “Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira”, do projeto Amazônia 2030, divulgado recentemente.

Segundo o parlamentar, o levantamento confirma uma mudança estrutural no perfil da violência no Amazonas, que deixou de ser predominantemente local e passou a integrar redes nacionais e internacionais do crime organizado.

“Estamos diante de uma nova realidade. O crime organizado não apenas chegou ao interior do Amazonas, ele passou a ocupar território, a disputar rotas e, em muitos casos, a exercer uma espécie de governança paralela. Isso é gravíssimo e exige uma resposta à altura do Estado brasileiro”, afirmou Comandante Dan.

De acordo com o estudo, a violência na Amazônia Legal  é Amazonas deixou de se concentrar nos grandes centros urbanos e passou a avançar sobre municípios pequenos e remotos. Essas localidades, historicamente menos violentas, registraram crescimento acelerado das taxas de homicídio nas últimas duas décadas.

O Amazonas se destaca pela configuração territorial e logística, marcada por extensas áreas isoladas e forte dependência das hidrovias. Municípios ao longo dos rios Solimões, Negro e Madeira passaram a integrar rotas estratégicas do tráfico internacional de drogas, conectando países produtores andinos a centros urbanos e mercados externos.

O relatório também aponta que, a partir de 2015, com intensificação após 2018, a violência na região passou a ser majoritariamente impulsionada pela atuação de facções criminosas. As organizações disputam o controle de rotas logísticas, territórios e pontos estratégicos de armazenamento e distribuição de drogas.

Outro ponto central destacado pelo parlamentar é o reposicionamento do Amazonas como eixo logístico do narcotráfico, especialmente após a migração das rotas aéreas para as fluviais a partir de meados dos anos 2000.

“O Amazonas deixou de ser apenas rota de passagem e passou a ser território estratégico. Isso muda completamente o desafio da segurança pública. Estamos lidando com organizações estruturadas, com atuação transnacional e alto poder de articulação”, afirmou.

O estudo estima, ainda, que a presença de atividades ilegais esteja associada a cerca de 18,7 mil homicídios em excesso na Amazônia Legal entre 1999 e 2023, reforçando a relação direta entre economia ilícita e violência.

Diante do cenário, Comandante Dan defende uma mudança no modelo de atuação do poder público, com foco na territorialização da segurança e na integração de políticas.

Entre as principais propostas defendidas pelo deputado estão o fortalecimento do policiamento fluvial, a ampliação da presença do Estado em municípios isolados e a integração entre segurança pública e políticas ambientais. A intensificação do controle de fronteiras e a atuação coordenada contra organizações criminosas completam os pilares de reestruturação defendidos por Dan.

“O enfrentamento precisa ser inteligente e integrado. Não basta atuar apenas na repressão. É preciso ocupar território, fortalecer o Estado onde ele é ausente e atacar as estruturas financeiras e logísticas do crime”, pontuou, ele que também preside a Comissão de justiça e Segurança Pública da UNIÃO Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale).

Reconhecido como um dos parlamentares mais atuantes na pauta da segurança pública no Amazonas, Comandante Dan tem defendido, ao longo do mandato, medidas voltadas à reestruturação do sistema de segurança, valorização dos profissionais da área e ampliação da presença estatal no interior.

“O estudo traz um diagnóstico claro. Agora, precisamos transformar esse diagnóstico em ação concreta. O Amazonas não PODE ser dominado pelo crime organizado”, concluiu.

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