Em plenário, Comandante Dan afirma que é necessário retomar e ocupar os territórios que estão ocupados pelas facções criminosas

Reporter da Cidade

Em discurso acalorado durante a sessão plenária de quarta-feira (4/2), o deputado estadual Comandante Dan (Podemos) defendeu a adoção de um NOVO plano de segurança para o Amazonas. Para ele, a divulgação da redução de número de determinados delitos não significa de forma objetiva a redução de insegurança à que a população está submetida. Ele argumenta a necessidade da retomada e da ocupação de territórios que se encontram hoje sob comando das facções criminosas.

“As facções criminosas ocupam cada vez mais territórios, estabelecendo sobre eles uma governança criminal, paralela, onde quem faz a lei é o crime. A falsa percepção de segurança que se apresenta a partir apenas de dados não existe no Estado do Amazonas. E eu afirmo, garanto e comprovo”, declarou o deputado.

No último 28 de janeiro, o Ministério da justiça e Segurança Pública publicou que o Amazonas obteve em 2025 a maior redução da taxa e, também, a maior queda percentual de homicídios dentre as 27 unidades da Federação. Segundo o Ministério, os dados informados pela Secretaria Estadual de Segurança mostram uma taxa de homicídios de 16,38 para cada 100 mil homicídios. O percentual é 8,26% menor que o registrado em 2024, quando o Amazonas esteve com uma taxa de 24,64.

O deputado Dan, que é ex-comandante da polícia Militar do Amazonas (2008-2011), ex-secretário executivo adjunto de Segurança para Grandes Eventos e fundador do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Secretaria de Segurança Pública, considera que há uma grande cifra negra (quando os delitos não se tornam efetivamente notícias crime de abertura de inquéritos) e que há a expansão, na capital e no interior, da ocupação de territórios públicos pelo comando de facções criminosas:

“Estamos convivendo com territórios ocupados, dominados pela criminalidade. E isso não é explicitado, apresentado, porque as pessoas estão amedrontadas. Nós precisamos retomar os territórios. É necessário que possamos retomar, ocupar os territórios que estão hoje ocupados pelas facções criminosas. Os territórios aqui em Manaus onde o padre, o pastor e a comunidade têm que pedir permissão ao dono da boca para poder entrar e sair, para poder realizar um culto, para poder fazer alguma coisa. Aliás, eles confiam mais nele, no crime, que na própria instituição policial, porque eles penalizam aqueles que roubam, que furtam. Eles recuperam os objetos dos furtos e roubos. O crime julga e pune em um tribunal próprio, paralelo ao estado democrático de direito, e a população assiste, refém disso, apavorada e receosa por seus filhos e netos”, disse.

Dan Câmara propõe um NOVO plano de segurança pública tendo em vista a territorialidade do crime. Ele aposta em desdobramentos de um plano geral por áreas, destacando as faixas de fronteira, as calhas de rios e a Região Metropolitana de Manaus, com gestões diferenciadas e integradas e com metas estabelecidas. “Estado presente, criminalidade ausente”, finalizou.

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