Comandante Dan quer explicações da Amazonprev sobre investimentos realizados com o fundo previdenciário e a situação da instituição

Reporter da Cidade

O deputado Comandante Dan (Podemos) se pronunciou nesta terça-feira (10/2), durante sessão no Legislativo Estadual, sobre uma reportagem do site brasilforadacaverna.com.br. Com o título “Banco Master: oito fundos de previdência entram no vermelho”, o material jornalístico, assinado por Henrique Romanine, afirma que, com um déficit superior a R$ 750 milhões, a  Fundação Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas (Amazonprev) estaria entre os oito fundos previdenciários que estão operando no vermelho.

A Amazonprev investiu cerca de R$ 50 milhões em Letras Financeiras do Banco Master em junho de 2024, com vencimento para 2034. A operação, realizada antes da intervenção do Banco Central na instituição, gerou riscos de perdas patrimoniais por não contarem com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Realizado em 6 de junho de 2024, o aporte da Amazonprev ocorreu pouco tempo após o credenciamento do Banco Master pela fundação, levantando questionamentos sobre a segurança e critérios da operação. Relatórios preliminares indicaram que a aplicação no Master, junto a outras operações, violou políticas internas da Amazonprev e ocorreu sem registro adequado em ata de aprovação do conselho.

“Estamos diante de uma questão gravíssima, que envolve suspeitas de malversação dinheiro público, de recursos do povo do Amazonas. Inicialmente, eram R$ 50 milhões do Banco Master. Depois mais R$ 250 milhões do C6 Bank. Agora a Amazonprev é citada por um site nacional como integrante de uma lista de oito fundos de previdência entram no vermelho e com um déficit superior a R$ 750 milhões. A Assembleia Legislativa precisa se debruçar sobre esse caso e apurar o que está acontecendo”, afirmou o deputado.

A justiça do Amazonas suspendeu, em fevereiro de 2026, repasses de consignados da Amazonprev ao Banco Master, devido às investigações da polícia Federal sobre o banco. Especialistas alertam para o risco de perda, pois os títulos não têm proteção do Fundo Garantidor de Créditos.

A Amazonprev, por outro lado, declarou anteriormente que a aplicação não colocava em risco o pagamento de aposentados, mas não justificou o investimento.

Órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado (TCE), investigam a gestão dos investimentos da Amazonprev, que também envolveu outras aplicações de risco elevado.

Iprem, de Santa Rita do Oeste (SP), PreviPaulista (SP), Maceió Previdência (AL), Instituto de Previdência de Campo Grande (MS), Araprev, de Araras (SP), Rioprevidência (RJ), Amprev (AP) e a Amazonprev, “com déficit superior a R$ 750 milhões”, segundo a reportagem do site Brasil Fora da Caverna, seriam as oito instituições que operam no vermelho e investiram em fundos sem lastro do Banco Master.

O deputado Comandante Dan, é autor de um Projeto de Lei Complementar que intensifica a fiscalização sobre os investimentos da Amazonprev:

“Fizemos o Projeto de Lei Complementar nº 7 de 2025 para instituir comissões interinstitucionais para aprovação de aplicações, exigindo relatórios trimestrais detalhados, e proteger o fundo previdenciário dos servidores. Temos R$ 300 milhões em risco, entre investimentos entre o Banco Master e o C6 Bank. Não há a menor dúvida que há a necessidade de maior controle e transparência nesses investimentos que, de uma hora para outra, pararam de adotar uma postura conservadora para ousar em investimentos de altíssimo risco. E diga-se, com aprovação do conselho posterior à autorização do investimento. Isso é grave e malversa o erário”, finalizou.

Comandante Dan apresentou pedido de convite do presidente da Amazonprev para explicações na Assembleia Legislativa do Amazonas e não descarta pedir, de acordo com as informações, a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito.

No Rio de Janeiro, a Rioprevidência foi alvo de operação da polícia Federal no dia 23 de janeiro. A instituição continuou investindo em ativos ligados ao Banco Master, mesmo depois de ter recebido um alerta do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. O diretor-presidente da instituição, e dois ex-diretores de investimentos foram alvo da operação, denominada “Barco de Papel”. Em oito meses, os investimentos no Master chegaram à casa de R$ 970 milhões.

Deputado dedicou o troféu abacaxi para a diretoria da Amazonprev.

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