
A cheia dos rios no Amazonas já provoca impactos severos na logística, no abastecimento e na mobilidade de diversos municípios do interior. Diante do agravamento do cenário, o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) fez, na manhã desta quarta-feira, (18/03), um alerta às autoridades estaduais e federais para a adoção imediata de medidas emergenciais e estruturantes.
Um dos casos mais críticos ocorre no município de Lábrea, no sul do Estado, onde a ponte sobre o rio Umarí, no km 792 da BR-230 (Transamazônica), foi totalmente interditada após ficar submersa com a elevação do nível do rio Purus. A estrutura é a única ligação terrestre da cidade, o que coloca o município sob risco de isolamento completo.
“Nós estamos diante de um problema recorrente, mas que continua sendo tratado como exceção. A cheia já compromete o direito básico de ir e vir, o abastecimento de alimentos, combustível e medicamentos. É preciso ação coordenada e imediata dos governos”, afirmou o deputado.
De acordo com dados atualizados do monitoramento estadual, municípios das calhas do Alto Solimões, Purus e Juruá já enfrentam situação de emergência ou alerta para inundação. Cidades como Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Boca do Acre, Canutama, Carauari, Eirunepé e Itamaraty estão em situação de emergência, enquanto outras como Lábrea, Tapauá, Pauini e municípios do Alto Solimões permanecem em estado de alerta.
A interdição da ponte na BR-230 evidencia um problema estrutural histórico da região: a dependência de poucas rotas terrestres e a vulnerabilidade da infraestrutura frente aos eventos climáticos extremos. Com a interrupção do tráfego, há risco imediato de desabastecimento e colapso em serviços essenciais, incluindo energia elétrica em localidades dependentes de combustível.
“Quando uma única ponte define o acesso de um município inteiro, estamos falando de um gargalo logístico grave. A cheia não derrubou grandes estruturas, mas interditou pontos estratégicos, causando um efeito dominó em toda a economia local”, destacou Comandante Dan.
O parlamentar, que tem atuação recorrente na pauta da interiorização e da segurança logística no Amazonas, defende a adoção de um plano integrado de enfrentamento às cheias, com ações de curto, médio e longo prazo.
“O Amazonas precisa parar de reagir às cheias e passar a se antecipar. Isso exige planejamento, investimento e integração entre UNIÃO, Estado e municípios. Não Podemos naturalizar o isolamento de cidades inteiras todos os anos”, concluiu.
A expectativa é que o tema ganhe prioridade nas agendas governamentais nas próximas semanas, diante da tendência de manutenção ou elevação dos níveis dos rios em diversas calhas do Amazonas.