Comandante Dan cobra retirada de presos de delegacias após superlotação em Boca do Acre

Reporter da Cidade
Comandante Dan cobra retirada de presos de delegacias após superlotação em Boca do Acre

A situação da 61ª delegacia Interativa de polícia (DIP) de Boca do Acre (distante a 1402 quilômetros de Manaus ) reforça o alerta feito pelo deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) sobre o uso de delegacias do interior do Amazonas como unidades prisionais improvisadas. Segundo documentos do Ministério Público, a delegacia chegou a manter 32 presos em uma estrutura com capacidade indicada para apenas dez pessoas, mais de três vezes o limite.

Os registros mostram um agravamento progressivo da superlotação: eram 18 custodiados em abril, 26 em maio e 32 em junho. O Ministério Público também identificou problemas estruturais e sanitários, ausência de vigilância noturna e a utilização de celas que já haviam sido interditadas judicialmente. O caso é discutido na Ação Civil Pública nº 0600659-13.2025.8.04.3100.

Para Comandante Dan, a situação de Boca do Acre confirma que o problema deixou de ser pontual e exige uma resposta coordenada do Governo do Estado. Casos semelhantes já foram registrados recentemente em municípios como Envira, NOVO Airão e Eirunepé.

“Quando uma delegacia preparada para dez pessoas mantém 32 presos, não estamos diante de uma simples dificuldade administrativa. Existe risco para os policiais, para os próprios custodiados e para a população. delegacia não é presídio, e policial civil não PODE ser retirado da investigação para desempenhar permanentemente a função de agente penitenciário”, afirmou.

O deputado defende a retirada gradual dos presos mantidos em delegacias, a implantação de unidades prisionais regionais e o planejamento conjunto entre polícia Civil, Secretaria de Administração Penitenciária e demais órgãos do sistema de justiça. Para ele, o Estado precisa conhecer a dimensão completa do problema nos 62 municípios e apresentar um cronograma público de providências.

“O Ministério Público cumpre um papel importante e merece reconhecimento por fiscalizar, documentar as irregularidades e cobrar soluções concretas. Esse tipo de atuação protege a sociedade, os policiais e as pessoas que estão sob a responsabilidade do Estado. As determinações judiciais precisam ser cumpridas, especialmente quando envolvem segurança e condições mínimas de custódia”, declarou Comandante Dan.

Além da superlotação, o Ministério Público requisitou informações sobre o número de delegados, investigadores, agentes e escrivães efetivamente lotados na 61ª DIP. O órgão também quer saber se servidores da unidade estão sendo empregados fora de Boca do Acre, inclusive na região conhecida como Sul de Lábrea.

Na avaliação do parlamentar, o levantamento do efetivo é indispensável para medir quanto da força de trabalho da polícia Civil está sendo desviada de suas atribuições para vigiar presos.

“Cada policial empregado na guarda de uma carceragem é um profissional a menos investigando crimes, cumprindo diligências e atendendo a população. O Estado precisa informar quantos presos permanecem nas delegacias, quantos policiais são mobilizados para essa vigilância e qual é o plano para devolver essas unidades à sua verdadeira finalidade”, cobrou.

Comandante Dan também defende novos concursos, recomposição dos efetivos e melhor distribuição dos profissionais da segurança pública, com critérios específicos para municípios de fronteira, áreas ribeirinhas e localidades de difícil acesso.

Boca do Acre não PODE ser tratada como um episódio isolado. A sequência de casos mostra uma deficiência estrutural. É necessário regionalizar o sistema prisional, fortalecer a polícia Penal e garantir que as delegacias do interior voltem a funcionar como portas de entrada da investigação e da proteção ao cidadão”, concluiu.

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