Exposição reúne fotografias e minidocumentário com achados arqueológicos do sítio do parque Encontro das Águas Rosa Almeida.
A Prefeitura de Manaus, por meio da , realizou nesta sexta-feira, 11/9, a abertura da exposição fotográfica Solo Ancestral no Centro de Arqueologia de Manaus (CAM), no centro histórico. A iniciativa integra a programação oficial do “#SouManaus Passo a Paço 2026” e apresenta registros das pesquisas feitas na área de construção do parque Encontro das Águas Rosa Almeida.
Achados e narrativa da exposição
A mostra reúne fotografias de cerâmicas, ferramentas de pedra e terras pretas antropogênicas encontradas nas intervenções no sítio. O acervo propõe uma narrativa cronológica com imagens de material arqueológico e inclui um minidocumentário de 10 minutos sobre os procedimentos de coleta e análise de campo.
Segundo a curadora e arqueóloga Vanessa Benedito, os trabalhos de salvamento arqueológico realizados durante o licenciamento ambiental para as obras do parque trouxeram evidências que alteram estimativas anteriores sobre a ocupação da área. De acordo com a pesquisadora, as análises de laboratório indicam que a ocupação pré-colonial tem cerca de 2.300 anos, recuando a datação que antes era estimada em até 1.700 anos e identificando cerâmicas da tradição Pocó-Açutuba.
Vanessa ressalta que a exposição busca dar visibilidade à história da ocupação pré-colonial e ao manejo da floresta e da produção de terra preta por essas populações.
Acompanhamento e preservação
As pesquisas no sítio foram acompanhadas pelo Instituto do patrimônio histórico e Artístico Nacional (Iphan). O arqueólogo do instituto Marco Túlio Amaral afirmou que o processo tramitou junto ao Iphan e que as intervenções atenderam ao ordenamento jurídico sobre patrimônio arqueológico. Ele destacou também o valor social das descobertas para o município e para o Estado.
As intervenções de grande porte, conforme a mostra, evidenciam a importância do acompanhamento arqueológico em obras públicas, permitindo identificar, estudar, preservar e, quando possível, divulgar os materiais encontrados.
Acervo do CAM e ferramentas de divulgação
O CAM abriga um acervo de aproximadamente 320 mil peças arqueológicas, que servem à pesquisa, preservação e difusão da história dos povos amazônicos. Nesta exposição, a fotografia é usada como ferramenta para apresentar ao público os registros relacionados ao material encontrado nas obras do parque.
O diretor-presidente da Manauscult, Márcio Brás, informou que “O material ficará exposto por aproximadamente 60 dias no Centro de Arqueologia. Para o mês que vem, planejamos uma roda de conversa e um bate-papo para debater a arqueologia em Manaus, os sítios históricos e o dimensionamento de todo esse material”.
A exposição Solo Ancestral ficará aberta à visitação pública no CAM, na avenida 7 de Setembro, nº 350, Centro, durante os próximos 60 dias, sempre das 9h às 16h.
Texto – Geraldo Farias/Semcom e Arlinton Júnior / Manauscult
Fotos – Arielle Lorena/Semcom
Disponíveis em – https://flic.kr/s/aHBqjD4z9z
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