O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) alertou nesta quarta-feira (12/8) para o risco da infiltração do crime organizado na política e defendeu o fortalecimento dos mecanismos capazes de impedir que facções e outras organizações criminosas utilizem o processo eleitoral para ampliar sua influência sobre o Estado.
O assunto ganhou destaque nacional diante da mobilização do Ministério Público Eleitoral para que partidos políticos adotem procedimentos de integridade, governança e fiscalização destinados a identificar possíveis vínculos de pré-candidatos e candidatos com organizações criminosas.
Entre as medidas defendidas estão a análise de antecedentes criminais, vínculos territoriais e patrimoniais e a identificação de indícios de financiamento ilegal de campanhas.
Para Comandante Dan, o debate evidencia uma dimensão do crime organizado que precisa ser enfrentada além das operações policiais.
“O crime organizado não quer apenas vender drogas ou dominar uma área da cidade. Ele busca dinheiro, território e poder. Quando consegue penetrar nas estruturas políticas, passa a ter capacidade de influenciar decisões, contratos, fiscalização e até as próprias políticas públicas que deveriam combatê-lo”, afirmou.
O parlamentar avalia que impedir essa expansão exige atuação integrada das instituições, utilização permanente de inteligência e acompanhamento dos fluxos financeiros das organizações criminosas.
“Não Podemos combater organizações que movimentam milhões apenas prendendo quem está na ponta. É preciso seguir o dinheiro, identificar patrimônio, empresas, negócios utilizados para lavagem e as conexões que permitem ao crime organizado ampliar seu poder econômico e político”, destacou.
Alerta também no Amazonas
A possibilidade de interferência do crime organizado nas eleições também já entrou no radar das instituições amazonenses. Em junho, durante atividade promovida pelo Ministério Público do Amazonas em parceria com a Procuradoria Regional Eleitoral, o tema foi tratado na preparação dos promotores que atuarão nas eleições de 2026.
Na ocasião, foram discutidas estratégias de enfrentamento às organizações criminosas com interferência no processo eleitoral e a utilização das estruturas de investigação e inteligência, como o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Comandante Dan defende que o enfrentamento às facções seja compreendido como uma política permanente de proteção das instituições.
“Quando uma organização criminosa consegue influenciar quem ocupa um cargo público, o problema deixa de ser somente de segurança pública. Passa a ser uma ameaça ao funcionamento do próprio Estado e à liberdade do cidadão. A democracia precisa ser protegida também da captura pelo crime organizado”, disse.
O deputado sustenta que o combate às organizações criminosas deve combinar repressão qualificada, inteligência financeira, integração entre os órgãos de segurança e justiça e atuação sobre os mercados ilegais que financiam as facções.
“Precisamos retirar do crime organizado aquilo que sustenta seu poder: dinheiro, território, mercados e influência. Esse enfrentamento começa nas ruas, mas precisa chegar às contas bancárias, às empresas utilizadas para lavagem de recursos e a qualquer estrutura de poder que tenha sido capturada pelo crime”, concluiu Comandante Dan.