O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) denunciou a situação enfrentada pelos moradores de Anori, no interior do Amazonas, onde os dois únicos caixas eletrônicos disponíveis no município estariam sem realizar operações de saque e depósito desde maio. O problema levou o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) a recomendar ao Bradesco o restabelecimento dos serviços.
Para Comandante Dan, a situação ultrapassa um problema de atendimento bancário e expõe as dificuldades enfrentadas pela população dos municípios do interior para ter acesso a serviços que, nos grandes centros, são considerados básicos.
“Estamos falando de pessoas que trabalham, recebem aposentadoria, benefício ou salário e podem encontrar dificuldade até para retirar o próprio dinheiro. Em pleno 2026, um cidadão não PODE ser obrigado a sair do município onde mora porque não consegue fazer um saque ou um depósito. Isso é também uma questão de Cidadania e de desenvolvimento”, afirmou o parlamentar.
A dificuldade atinge de maneira ainda mais sensível aposentados, idosos, pessoas com deficiência, moradores de comunidades ribeirinhas, comerciantes e trabalhadores que dependem da circulação de dinheiro em espécie. No interior do Amazonas, onde as distâncias são vencidas principalmente pelos rios, a indisponibilidade de um serviço PODE significar horas de viagem, gastos com combustível, alimentação e transporte.
O problema chama atenção também porque Anori mantém relação antiga com o Bradesco. Segundo informações divulgadas pelo próprio banco, seu primeiro Posto de Atendimento Bancário (PAB) no município foi implantado em 2007. A instituição afirma estar presente em todos os municípios da Amazônia e destaca o atendimento físico e os correspondentes bancários como instrumentos de inclusão e desenvolvimento regional.
Comandante Dan afirmou não ser possível discutir interiorização do desenvolvimento apenas sob a perspectiva de grandes obras e investimentos, sem considerar a infraestrutura cotidiana necessária para que as pessoas permaneçam e produzam em seus municípios.
“Interiorizar o desenvolvimento é garantir condições para viver no interior. É ter banco funcionando, energia elétrica confiável, internet, segurança pública, saúde, transporte e água. Não adianta falar em desenvolvimento se, na prática, o cidadão precisa viajar para outra cidade para resolver necessidades básicas”, destacou.
O parlamentar também chamou atenção para o impacto da falta de saques e depósitos sobre a economia local. Em municípios menores, a circulação de dinheiro em espécie continua relevante para pequenos comerciantes, produtores, trabalhadores informais e moradores de comunidades rurais e ribeirinhas.
“Cada serviço que deixa de funcionar empurra o cidadão para fora do município e também leva recursos para fora da economia local. Precisamos inverter essa lógica. Quem escolhe viver, trabalhar e produzir no interior precisa encontrar serviços públicos e privados compatíveis com suas necessidades”, disse Comandante Dan.
O deputado defendeu que o Bradesco adote imediatamente as providências necessárias para normalizar o atendimento e apresente uma solução capaz de evitar a repetição do problema.
“Não estamos pedindo privilégio para Anori. Estamos cobrando respeito. A população do interior paga tarifas, movimenta a economia e tem os mesmos direitos de quem mora na capital. Se existem dois caixas para atender o município, eles precisam funcionar”, concluiu.